quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Tirei aquele livro da gaveta

Eu tô ficando louca de saudade. De tudo. Do jeito que você encostava em mim, da forma que me excitava, do sorriso que mostrava que queria dizer mais do que disse, do olhar genuíno, das mensagens fora de hora, da sofrencia de não poder te ver quando queria. E mais... de nem imaginar o que você está vivendo agora. E não saber de nada de você. E ter ido tão pra longe quanto eu pude, e agora essa distância nociva dói bem fundo. Eu queria poder sei lá, te ver e bater um papo frouxo e sem graça. Com aquela necessidade de ir embora logo, porque afinal, é muito pra gente. Eu queria muito poder te abraçar mais uma vez. E sem saber porque, me sentir segura de novo. Como um amor que nunca vai. Como uma alma que se conecta a outra. Como se compartilhassemos um eterno sentimento do "e se eu tivesse te visto naquele show". Eu não sei, mas sinto sua falta. Nem sei porquê, nunca fomos um só. Saudade das suas piadas sem graça, do seu beijo bom. Do cigarro pros momentos sem jeito. Sinto falta demais, de não ter gozado em você mais vezes e sentido o seu peso mais forte. De não ter te descoberto enquanto era só mais um caso. Saudade do livro na gaveta com o final tão decisivo. Saudade demais. Por que você apareceu de novo com essa força que destrói e constrói ao mesmo tempo. Eu nunca tive a chance de te amar de verdade. Eu sinto falta de você.

Penélope Pren.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ahhhhhhh.... Ladrão

Quem seria você?
Um tropeço, um banheiro, dois sorrisos.
Uma noite inteira de cumplicidade.
O lençol bagunçado com duas vidas enroladas.
Alguns ¨tsc¨ e pouco álcool pra mim.
O sol nascendo parece que vem nos colocar para dormir.
Eu te dou minha mão suada, você me da sua confusão e todo o resto que tem cheiro, sabor e saliva.
A diferença que me faz igual.
O passado que passa rápido, o presente que não existe e o futuro que não tem porquê.
Duas histórias e uma única vontade: sentir você.

Irís Pietro

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Beijos intermináveis.

E como eu poderia ter noção que seu sabor iria se encaixar perfeitamente no meu paladar? Se eu não beijasse, se eu não deixasse e não te sentisse?

Eu deixei me levar pela vontade, cheiro e gosto e agora fico imaginando qual será a próxima vez, que terei suas mãos me puxando contra o seu corpo e os seus beijos me fazendo sentir o quanto queria ficar ali.
Qual será a próxima vez que vai me agarrar pela cintura e vai me fazer não querer que aqueles beijos intermináveis tenham um fim?
Quanto falta para eu estar de novo na mesma cama que a sua?
Quanto que falta pra chegar mais perto e não pensar em mais nada?
Eu não sei o que eu sinto e nem ate quando irei sentir, mas eu sei que gosto do que me causa e da vontade que fico de você, mas para de me deixar na vontade e vem logo, preencher o outro lado da cama.

Irís Pietro.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Mais um texto sobre feminismo.

Sim, este é mais um texto sobre feminismo.
É mais uma tentativa de fazer pessoas como você enxergarem o óbvio.
E quando eu digo pessoas como você, eu digo machistas. E eu não digo apenas homens, mas mulheres também.
Aconteceu um estupro coletivo: trinta homens violentaram a vida e o corpo de uma mulher. E como se não bastasse o estupro em si, eles filmaram, fotografaram e divulgaram na internet.
Eles zombaram da dor física e emocional que ela sentiu e ainda vai sentir. Eles debocharam dos traumas e medos que ela vai carregar até o fim da vida.
E sabe o que é pior? Teve gente dizendo que a culpa foi dela. Teve gente dizendo que provavelmente ela estava usando roupa curta ou decotada, ou que estava bêbada, ou que estava sozinha em lugar e horário inadequado.
Pois é... Vivemos em um país onde a cultura do estupro se faz presente: culpamos a vítima e não o estuprador, ensinamos as mulheres como não serem estupradas ao invés de ensinarmos aos homens que não devem estuprar.
Vivemos numa sociedade onde existe uma misoginia institucionalizada, onde existe soberania dos homens sobre nós mulheres, sobre os nossos corpos, sobre as nossas vidas, apenas por serem homens.
Quando dizemos que “todo homem é um estuprador em potencial” é porque aprendemos desde cedo de que não temos voz, nem força, para dizer não aos desejos de um homem. Estupradores não são psicopatas ou doentes. São homens comuns que não se importam em obter o consentimento de uma mulher sobre seu próprio corpo.
Sabe o que acontece diariamente? Mulheres sendo assediadas em suas faculdades, em seus trabalhos, nas ruas, nos transportes públicos. Mulheres sendo agredidas dentro de suas próprias casas. Mulheres sendo estupradas e, em alguns casos, até mortas.
Mulheres sendo ofendidas e difamadas. Mulheres sendo diminuídas, mutiladas e podadas.
O feminismo, ao contrário do que muitos pensam, busca a igualdade. Não queremos ser melhores que os homens, só não podemos mais deixar que continuem nos tratando como se fôssemos menos. Simplesmente porque não somos. Nunca fomos. Queremos os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, os mesmos julgamentos, a mesma liberdade.
E aí você me pergunta, já que existem tantos textos por aí, por que perdi meu tempo escrevendo mais um texto sobre feminismo? Porque a nossa luta não pode parar. Nunca!

Felícia Bacci.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Já tá na minha vez?

É realmente engraçado quando você aparece do além. Eu acordo em um dia qualquer com uma mensagem sua, como se fosse alguma coisa natural. Os olhos apertam, tentando de alguma forma sã compreender o quão irreal, novamente, é receber suas mensagens anuais.
Talvez você não saiba a resposta, mas lá no fundo eu sei que sabe. E aí, já se divorciou?
Quantas vezes você volta e eu relembro tudo aquilo, mas não vou ceder, não vou responder. Para mim, explicar o óbvio, só vai trazer a brecha para manter um diálogo, uma possível satisfação, justificativas e porquês que não alteram o fato da minha vida não mudar com tantas palavras bonitas. Que sim, eu gosto. Que sim, eu não vou responder. Se eu respondesse, teria que voltar sempre a pergunta clichê: E aí, já se divorciou? E mais óbvia que a pergunta é a resposta, que supondo ser positiva, já estaria explícita na mensagem com mais de trinta linhas, afinal... Você disse que seu coração acelera por mim, logo, se houvesse um paradigma diferente para tentar desvendar essa relação, tenho certeza que seria explicitado! 
Você não está sozinho, assim você não é meu e eu não vou me dar ao luxo, enquanto eu tiver controle, de ser metade de alguém. Ou de ser só a parte boa, porque eu quero tudo, inclusive a ruim, a estragada. 
Entenda de uma vez por todas, que eu não irei te responder, não por falta de afeto, mas por certezas que criei no decorrer dos anos, e inclusive por você. 
Me bloqueie, se está ofendido! Não vou ceder, por milhões de motivos, que saem da teoria todas as vezes que seu nome aparece na minha tela.
Você não pode ser meu, novamente repito. E por isso, não terá nenhuma parte minha. É o tudo ou nada. E dentro das nossas realidades, fiquemos com o nada. E o que foi a gente guarda na cachola, e deixa ser bom. Porque olha, foi muito bom!

Penélope Pren.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Tempos de luta...

Se você defende ideias que te favorecem conforme suas realidades pessoais então você não tem ideias.
Você é apenas o PMDB da sociedade, que vai pra onde tá favorável.
A maioria das minhas lutas não me atingem diretamente, eu disse a maioria.
Eu quero um mundo no qual que meus filhos possam viver.
Que não sejam violentados e maltratados porque fizeram essa ou aquela escolha...
Eu quero paz, amor, tranquilidade.
Eu quero liberdade.
E não é porque eu não me sinto mal com certas imposições da sociedade que isso não afeta outras incontáveis pessoas ou enfraquece a força de um movimento.
É essa visão mais abrangente que temos que ter.
Temos que ser menos egoístas e parar de querer desvalorizar apenas porque você não apoia ou não faz sentido para você.
O mundo melhor depende de todos nós e o egoísmo em certas visões precisa ser controlado.
Exemplo:  O feminismo pra mim é desnecessário? Sim.
1- As mulheres deixam de ser estupradas com a minha opinião?
2- Deixam de ser agredidas em casa?
3- Deixam de ser julgadas por suas roupas?
4- Ou por que dão de primeira?
5- As mulheres passam a ganhar a mesma coisa que homens nos mesmos trabalhos?
Ou seja, minha opinião de que uma luta pra mim não faz sentido não faz com que outras milhões de pessoas não continuem sofrendo por causas que talvez não me atinjam.
Então, vamos à luta por nós e por todos nós!
É assim que vencemos e conquistamos um mundo melhor. Sem egoísmo.


Yasmin Bardini.

domingo, 10 de abril de 2016

Eu sinto

Eu não canso de você e nem da sua armadura, eu não canso das entre linhas e nem dos seus pesadelos, tão pouco do seu ronco, não canso dos ciúmes escondidos e do quarto pago em real. Eu não te desejo com o mesma vontade de antes, mas te desejo com o maior carinho de agora. Eu não te quero e nem quero que suma. Eu quero que vá e que fique, eu quero o beijo no olho e a liberdade berrada e escancarada nas costas que aprendi a virar com você. Eu não quero dominar, mas quero que domine. 
Eu não cansei do beijo, mas cansei da overdose de tapas que só eu vi, ou melhor só eu senti. 
Eu não sei porque, mas eu sempre estou aqui, até hoje eu estou aqui, talvez isso mude por opção nossa, sua ou minha, mesmo esbravejando eu continuo aqui. Mas isso é porque eu sinto... as vezes sinto pouco, mas em sua maioria eu sinto muito.

Íris 

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sabe-se lá!


Quando eu parei para pensar em mim, percebi que sou cheia de defeitos e manias que nunca irão se extinguir. Existe um lado em mim, que poucos conseguem ver, ouvir ou sentir, o que se deixa transparecer só em casamentos e nascimentos de bebês. Aquele que acredita acima de tudo, naquela felicidade que está sempre por chegar, não sei como, nem porquê, mas é como se acreditasse no destino sempre melhor. A esperança que não morre, que não é racional,  e nem sentimental demais. Ela só não morre nunca. Ela vibra todos os dias, apesar das tempestades.
Existe também o lado sério, racional, calculista que é o que costuma a ser mostrado pra todo mundo. O que as pessoas acham que sou. Mas eu sei, eu sei que eu tô muito longe da pedra que aparento, apesar da força que possuo, da resistência que tenho, e mais ainda, da credibilidade que levo dos meus princípios e ideiais, sou leal. Sou muito mais coração derretido, do que muitos "te amos" tortos, e sorrisos aleatórios. Só sei como controlá-lo. Isso é uma qualidade incrível, mas pesa muito mais como defeito. É chato ter o controle de tudo que está dentro de você! (Exceto as doenças, essas não me respeitam!)
E por fim, existe aquele meu lado brincalhão, divertido, meio tô nem aí pra nada. Esse é o mais tranquilo de todos, ele só vê a vida passar, curtindo o som que estiver no ambiente, as pessoas que encontrar, sem nóias, arrependimentos ou desavenças. Esse lado dança, ele canta, ele exala a essência da despreocupação que se deixa florescer quando a gente realmente precisa extravasar. 
Existem mil lados de mim. Todos opostos e diferentes. Todos cheios de defeitos insuportáveis quando não compatíveis com os dos outros. 
Mas ainda assim, não mudaria um porcento, foi assim que eu me criei, E quem sabe um dia, os defeitos incuráveis de um, se tornem maravilhosas qualidade dos outros, e eu consiga por minhas tantas caras em um corpo só?
Quem sabe....

Penélope.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Ele e ela


Você mal sabe beijar e encontra um carinha na escola, sim eu disse escola, ele era da turma do lado, não parecia dar muita bola pra menina com carinha de ingênua e sem muitos planos para o futuro, mas em algum momento viveram uma fração de segundos todos respaldados pelos cuidados dos pais dela prezando a tal virgindade que pode ser perdida em qualquer lugar que não um quarto, mas vamos deixar esse tópico para outro momento.  Ele tinha um cabelo grande e não gostava de boate, ela tinha uma sede de crescer e um fogo que não cabia nela. Ele achava que podia confiar nela, ela não tinha confiança em nada e ainda não confia. Ela não tinha planos, mas sempre optou pela verdade, menina que mesmo com os erros me enche de orgulho, falou e não mentiu e nem omitiu. Chorou e doeu mais nela do que nele. Essa menina sou eu, ele foi meu primeiro namorado e veio para me dar uma lição, aprendida com sucesso e carregada por todos os outros que passaram. Depois de mais de dez anos veio um ingresso, uma conversa, uma foto, um áudio e várias gargalhadas, uma mensagem aleatória, um saudosismo gostoso, um elogio sem sentido e um sorriso canto de boca. A verdade é que depois de tantos anos, a sua voz continua a mesma e mesmo nos conhecendo, não somos mais os mesmo. Um sábado passou e a cada 20 minutos olhava o celular para dar uma conferida, e a cada mensagem de um amiga ou mensagem de um carinha para eu sair para tomar o famoso chopp de sábado à noite não teria tanta graça. O seu nome não apareceu e nem você, mas sabia que me visitou nos meus sonhos? Essa noite mesmo dormindo de conchinha com outro, eu sonhei com você e não consegui ainda entender como poderia estar ali. Você é apenas uma promessa de conversa sadia e a certeza que não iremos nos ver, não faça isso, não entre nos meus sonhos e nem pensamentos. Ele continua com a mesma voz, mas ela, ahhh ela mudou bastante. 

Íris Pietro

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Não assim

As vezes eu acho que é seu cheiro, outras o seu sorriso, tenho certeza que é maneira que passa a mão no cabelo. Talvez não seja e só eu que veja. 
Essa coisa de atrapalhar meu desejo da vida e me inundar entre as pernas, me fazendo esquecer todos os outros. 
Eu não sou forte e talvez nem tão resistente. 
Não tem nada que me importe tanto hoje, desde que cada um esteja no seu canto. 
O segredo que se tornou de todos, me deixa maluca e dizer não para mim mesma é algo além do difícil. Pensei que seria impossível, mas cada dia me testo mais e consigo me dominar,consigo me conter, consigo não me entregar, até agora ou dessa vez ou, quem sabe, só foi um momento, um frisson, que passando ou não, é de meu controle.
Não que eu não queira, eu só não posso com você desse jeito, de novo e dessa forma eu não poderia mais.

Íris Pietro 

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A menina dança.

Você busca incessantemente o cara que você quer dividir sua vida. Dividir o momento ou dividir o sempre. O problema é que todos os dias o coração pede um pouco mais de pressa de sentir. O corpo clama por um pouco de calor. E aí fica aquela coisa vazia de quanto a gente só quer mostrar afeto. Antes de querer ser o alguém da vida de outro alguém, a gente quer que alguém seja esse alguém pra gente. Sentir é muito bom. E quando falha, e quando falta, dá uma diminuída na serotonina, falta adrenalina e a gente fica meio apática. Nem feliz, nem triste. Em paz, busca-se o antônimo e grita por euforia. O corpo vai expelindo cada vontade e inibindo a necessidade, deixando ser... Deixando estar. Só deixando. 
Em cada rosto, em cada abraço, em que cada mensagem, em alguns beijos, vendo se tem jeito, se tem chance, idealizando fotos, procurando sentido, percebendo nas batidas do coração, notando se as borboletas dançam. Querer dividir espaço, de casa, da rua, da cama e de dentro. Só querendo dividir um pouco de si. E cadê você? Que não aparece, que não soma os meus dias. Que não me liga porque não tem meu número ainda. Cadê você?Espero, ansiosamente, o dia de festejo, que será, quando a gente se esbarrar...


Penélope.

Meu "você" resistente.


Eu fiquei resistente depois de você. Não confunda, você, resistência com força. Não sou forte, só difícil de abater, de abrir, de descobrir, de ganhar e claro, de curar. Minha intensidade não é de dentro pra fora, é atípica, é intrínseca, e lá no fundo se confunde com o que não se sente mais ou ainda.
E eu quero sentir, o problema todo é o "depois de você". As pessoas dizem que eu me fecho, e que eu tenho que adocicar meus trejeitos e essas coisas que eu, em essência, considero totalmente um conselho tolo. O meu eu, na verdade, é assim. Você não lembra? Foi assim que ficamos juntos, e depois do juntos, eu continuei no mesmo assim sim, do mesmo jeito. Só que não como "o antes de você", porque aí, eu mudei. Não tinha como não mudar, eu te amei tanto. Eu queria mesmo que você soubesse disso.
Em geral, parece que eu deixo o "sem você" mudar a direção do meu destino, ou dos machos que passam pela minha estrada. Não. Amor, você não me afeta mais, não em relação a quem vai deitar na minha cama, e menos ainda, em que tipo de cara que eu vou me interessar. Você só afeta mesmo, a porra da vontade que eu tenho de sentir de novo, o que eu tinha contigo, não querendo comparar com nenhuma relação futura, era foda. Eu não preciso te esquecer, meu amor. Mesmo que o "meu" venha hoje de outras bocas, o amor continua exigindo a minha, e se nem eu posso tirar de mim, quem o poderia?
Eu queria que alguém com o nome diferente do seu me deixasse inebriada para perder o ar de novo. Para ficar de olho no celular por qualquer "oi, tudo bem?!" que fosse. Alguém com uma força felina destruidora, que competisse com a minha e ganhasse de mim. Preciso perder pra acelerar.
O "depois de você" não foi tão fácil quando você foi procurar outros "vocês", continua não sendo, afinal eu ainda não encontrei o meu "você" que refreasse o tempo e estimulasse a bomba da paixão.
É, meu bem, nosso bem. Pode chegar, me destrua. E me esgargalhe de serpentinas sentimentais. 

Penélope Pren

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Passado

Veio aquele com sorriso canto de boca, uma aliança no dedo e um mistério cheio de músicas e gritos de socorro, mas o socorro sempre esteve em sua aliança. O outro veio cansado, precisava viver e eu tinha vida para nós dois, deixou de lado quem sempre esteve do lado dele em um piscar de olhos, depois de pegar toda a minha vida, foi embora, sem nem piscar. Eu quis viver, e vivi a minha vida, os meus gostos, o meu compasso. Em roda de amigos, copo cheio, abraços, risadas e meu coração acelerou, aquele que eu abraçava como amigo, conversava comigo sobre o dólar e eu só pensava em beijar a sua boca, mas o coração dele já estava em outra frequência e eu não era a dona daquele batimento. 
E do nada você sai do baú, me propondo sorrisos e loucuras. Me confunde com meus pensamentos tão certos. O seu cheiro, gosto e suas propostas me balançam. Eu não tinha medo de viver, mas é que como você, eu também tive passado e esses me machucaram bastante. Eu tenho sede do seu corpo e do cheiro, eu tenho vontade de repetir a dose, antes eu estava apenas imaginando agora eu relembro do seu corpo em cima do meu, da puxada de cabelo, da sua mão me percorrendo, mas eu não consigo. Eu não consigo me entregar, eu não consigo te aceitar. A verdade é que por traumas eu não consigo. Se ainda tem propostas de virar meu mundo de cabeça pra baixo, enrolar meu cabelo na sua mão e de me comprar, não desista, porque na madrugada é você que tem me tirado o sono.

Íris Pietro.

Um sábado com um gosto doce.

Parada naquele ritmo, os nossos sorrisos e vontades. 
Minha língua explorando cada curva do seu lábio, os olhos fechados me levaram pra longe ou até pra mais perto. Eu só queria você, eu me entreguei, cada vez que sua mão percorria meu corpo, minha calcinha ficava ainda mais molhada. E cada vez mais eu tinha certeza que era ali que eu deveria estar, no meio de gargalhadas e tesão, meu corpo gritava você, mas estava tão bom que não conseguia sair dali. Roupas no chão, sorriso, tesão, saliva. E te sentir é querer que você não saia de mim, não saia. Continue me pegando por trás e sussurrando meu nome ao pé do ouvido, me lambuza com seu cheiro, com seu gosto e seu suor. Me dê o que eu sempre tive vontade: você.

Íris Pietro.

Saudade


É impressionante como tem dias em que sinto uma saudade imensa de você. De você e da sua pele branca e sensível repleta daquelas micromanchinhas rosadas que até mesmo um leve toque da sua própria roupa pode causar. De você e do seu cabelo longo, ora loiro, ora castanho, mas sempre liso, volumoso e cheiroso como um jardim repleto de lírios. Também sinto saudade dos teus brincos enormes, que estavam sempre desenhando e realçando teu pescoço perfeito, no qual eu já me perdi tantas vezes enquanto o beijava, inebriado com teu perfume marcante e entorpecente, que até hoje me assombra em muitas de minhas manhãs solitárias. Sinto muita saudade desses beijos também, é claro. Sinto saudade dos nossos tangos e dos nossos boleros; da tua maquiagem tímida, mas extrovertida o suficiente pra realçar tua boca rósea e de contornos perfeitos, assim como a teus olhos vorazes e penetrantes. Sinto saudade da tua voz nasalada me dizendo que me amava em plena madrugada, da textura do teu corpo sob o meu e do nosso suor misturado enquanto gozávamos, um louco por tudo que havia no outro, inclusive as muitas imperfeições.
Sabe, tem dias em que sinto muita saudade de você. Muita. Mas essa saudade só não é maior do que aquela que me leva ao tempo onde ainda não conhecia tudo o que me faz sentir saudade de você. Sinto ainda mais saudade dessa saudade, pois a ela era possível sentir sem ter que sentir doer.

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

sábado, 10 de outubro de 2015

eu@você.com

Não conheço o timbre da sua voz, nem o cheiro da sua pele. Não sei o som da sua risada nem o gosto do seu beijo.
Não faço ideia dos seus trejeitos, seus olhares e suas manias. E mesmo assim, não paro de pensar em você.
Depois de todos os caracteres que apareceram na tela do meu computador, não paro de pensar se o seu beijo combina com o meu, se vou me encaixar no seu abraço ou se vai sobrar ou faltar espaço.
Não paro de pensar em como você vai me olhar quando eu começar a tagarelar sobre os meus problemas e anseios. Nem em como você vai reagir quando souber dos meus segredos, paranoias e idiossincrasias.
Não paro de pensar em como você vai ser estranho conhecer alguém que eu já quero tão bem. E que apesar de nunca ter estado comigo, se faz perto e presente todos os dias.
E se você simplesmente não gostar de mim? Ou, pior, e se você gostar mesmo de mim?
O medo do novo me invade e atiça as borboletas no meu estômago. A expectativa me renova e faz surgir em meu rosto aquele sorriso bobo de mulher apaixonada. A curiosidade me faz explorar todas as possibilidades possíveis e enviesadas que podem surgir desse encontro.
Foi tudo tão rápido, sedutor e tentador. Tão despretensioso e voraz. Um flerte acidental que se perdeu e nos achou.

Felicia Bacci.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Quando eu respirei sozinha.

E por incrível que pareça meu mundo caiu, por uns instantes não tinha o que pensar sobre aquilo que não aconteceu ou qualquer meta pra seguir. Não existiam em minha mente momentos felizes, ou pensar na parte positiva. Só via o caos. Foi o choque que perdurou... Como abala qualquer um, depois que uma paixão encolhe. 
Lembrando que em um tempo atrás lá estava eu, com ele, acreditando no instinto. 
O não das nossas vidas continua igual desde que era sim. 
Foi por querer demais que perdi de vez. Hoje, não vou dizer que não tento, mas depois de tantas vezes tentando, eu quebrei as paredes. É viver como a lua, mudando de forma e desaparecendo quando convém. Mas ela sempre estará lá. Assim como eu sempre estou, mesmo quando não enxergo o restante.
Hoje você faz parte da minha faxina anual, depois de tanto medo de continuar aqui. O futuro, afinal, não acontece em linhas. Certas coisas sobrevivem muito mais por não poderem ser. Menos um dia que você se faz ausente, por não fazer parte mais. Você terminou com o nós, sigo no eu, porque você não existe mais. 
Sustento meu bocejo. A gente era, no final das contas, muito parecidos, e aí eu me lembrei  porquê que chegou ao fim... Faltou o desafio. A gente? Ah! A gente só tinha a certeza. 
Você está livre, como sempre quis e como sempre foi, e eu estou feliz e não preciso me esconder. 
Um brinde ao destino! 

Penélope Pren.

Bem ou mal, me quer.

Sempre que você me pede: "- Vai, se abre comigo.". Eu me sinto desconfortável. Nunca fui muito boa na hora de falar sobre os meus sentimentos, mas sempre consegui enfileirá-los em frases e textos. Sou melhor escrevendo. Embora, assumo, às vezes até escrever seja complicado...
Falando em ser complicado, acho que desaprendi a me relacionar. Amar e ser amada. A intensidade acabou se tornando um dos meus maiores defeitos, já que muitas vezes eu fui intensa demais quando deveria ser leve e isso me custou muitas noites de sono, muito choro e um coração partido. É difícil deixar alguém fazer morada dele e não me sentir culpada por isso. Ele já foi despedaçado, tal como flor nessas brincadeiras de bem-me-quer-mal-me-quer, e permitir que ele fique vulnerável, me assusta.
Desde que ele foi maltratado eu evitei ao máximo qualquer romance que pudesse se concretizar. Sempre havia um começo, e quando deixava de ser começo e ameaçava ter meio, eu lhes dava um fim. É mais fácil quando a gente consegue ter esse controle sobre o que pode um dia vir a nos fazer mal. É mais fácil e mais triste. A superficialidade não nos acrescenta nada. E acaba nos tornando pessoas frias e infelizes.
Li uma vez que “leviandade deveria ser pecado” e eu completaria a frase afirmando que “deveria ser o maior deles”. Não levar pessoas e seus sentimentos a sério é algo tão nocivo tanto pra quem comete esse erro como para quem é acometido por ele.
O amor é essencial pra qualquer tipo de relacionamento. Intensidade em demasia faz mal e a falta dela também.
Ninguém é substituível, mas existem momentos em que algumas pessoas perdem a prioridade em nossas vidas. Algumas perdem ao ponto de se tornarem apenas uma parte do passado.
Foi preciso que eu passasse por um passado nebuloso pra aprender que nem todo mundo vai permanecer comigo até o fim, nem todo mundo merece ser tratado com prioridade, nem todo mundo merece sair pela porta dos fundos sem ser levado a sério, nem todo mundo me fará sofrer.
E por mais que eu já tenha entendido a teoria, eu confesso que ainda estou tentando achar um jeito de colocar o aprendizado em prática.

Felícia Bacci.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A última vez.


Pra mim era a última vez, e eu aproveitei.
Eu te senti, eu me preparei, eu te guardei. Na verdade você pegou no sono antes de mim, eu te olhei. Faltavam quarenta dias, depois faltaram trinta, vinte e agora entendi o porquê de tanta contagem. Eu nunca tinha parado para pensar que ter apenas seis dias poderia ser tão agoniante, eu não tinha pensado que o doce tirado de uma criança é mais fácil do que tirar o seu corpo de perto de mim. Porque você não tem só açúcar, você tem sal, tem suor, tem tato, você tem pele, tem gosto e tem cheiro. É, eu entendi o que eu quis, e eu ali entendi as minhas limitações. Hoje tudo mudou, não sei quando será a última vez e quando irão tirar o doce de mim, mas com certeza essa hora já está pra chegar.

Íris Pietro.

Deusa

A luz parca que entrava pela porta do quarto, vinda da lua cheia que iluminava a escancarada janela da sala, além da ponta em brasa do cigarro entre meus lábios eram os únicos recursos que eu tinha para observar a cena magnífica que se desenhava sobre minha cama: aquela deusa de pele mulata, deitada e adormecida, nua e ainda suada, sobre os lençóis brancos completamente amarrotados e bagunçados; seus cabelos longos e crespos que caíam lindamente por seus ombros e braços magros, reforçando o contorno perfeito de seus traços; o substrato embranquecido de meu desejo ainda escorrendo sutilmente por entre suas pernas e o contorno irretocável de suas nádegas rígidas, volumosas e perfeitamente arredondadas. Pelo chão do quarto, nossas peças de roupa espalhadas denunciavam a pressa com que nos despimos, ávidos pelo contato direto, sem intermediários, de nossos corpos quentes, que exalavam o inconfundível aroma do intenso desejo mútuo. Havia meses que eu a imaginava em um momento como aquele, com aquela intimidade, com aquele calor. Sonhava acordado com o vai-e-vem de nossos quadris e com suas ancas apontando para o alto enquanto eu lhe possuía com força e tesão. E agora ela dormia ao meu lado, poucos minutos após a concretização de meus mais pervertidos desejos, que acabaram se provando muito, muito melhores do que em qualquer dia haviam sido no meu universo platônico. A maior prova disso era meu pau, ainda melado pela mistura de nossos líquidos, novamente entrando em estado de ereção pela simples e breve recordação do que acabara de acontecer entre aquelas quatro paredes. Mas foi quando me virei para apagar meu cigarro no cinzeiro lotado sobre o criado mudo que a noite prometeu ficar ainda melhor. Senti um movimento que não fui capaz de ver, apenas perceber, pois acontecera mais rápido do que minha capacidade de me virar novamente. Quando enfim consegui entender o que se passava, meu corpo inteiro já estava tomado pelo calor produzido por aquela boca carnuda e excitante engolindo meu membro já totalmente duro, desesperado pelo tesão proporcionado pelos movimentos longos e lentos realizados por aquela mulher divina. Seus olhos negros e devassos me olhavam fixamente enquanto sua cabeça se mexia em um ritmo que me fazia dançar sobre as estrelas de tanto prazer, me convidando para mais alguns minutos da experiência singular que era possuir aquele corpo, aquela mulher. Aquela deusa negra inesquecível...

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

Surpreendente mais!


E lá veio ele, despertando minhas vontades e me deixando em muita delas. Demoramos para nos achar, e nos entendemos no nada que temos. E esse nada veio com mais verdade do que o mais definido sentido da amizade. E a cada mensagem não respondida, me agoniava a ideia de eu tão certa, ter perdido aquele que sempre foi meu amigo. A sua mão quente percorrendo o meu corpo é o que você vai deixar para eu ter saudade, é a nossa conversa, a nossa onda, o seu abraço, agora eu te conheci e quer saber você é bem melhor do que eu imaginava, mais atencioso, carinhoso, mais solícito, mais, mais, mais, distante... Tive tempo para viver isso, tive tempo para ter você e talvez por uma infantilidade absurda e o mau costume de não te enxergar direito, eu não deixei. Agora mesmo sem querer, você vai embora conquistar a sua história e crescer como deve ser. Pra você eu desejo o mundo e que ele te surpreenda, assim como você me surpreendeu.

Íris Pietro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A gente se vê...

Eu estava ali, quieto, na minha. Sentado naquele banco velho de madeira, encarava meu telefone celular enquanto as crianças se divertiam, histéricas e aos berros, ao meu redor. Estava tão focado em meu aparelho que mal pude me lembrar de que, um dia, um daqueles gritos agudos e infantis havia sido meu.

Em uma das poucas oportunidades em que levantei meus olhos para reparar o mundo ao meu redor, percebi aqueles belos olhos azuis, tão inconfundíveis quanto inesquecíveis, se aproximando de mim, acompanhados do não menos impactante sorriso de dentes brancos e perfeitos, contornados pelos mais delicados, róseos e macios lábios que eu já tocara. Antes que pudesse constatar o tremor de minhas pernas e as batidas aceleradas de meu coração, meu telefone caiu de minha mão, denunciando à minha visitante que se aproximava o que se passava dentro de mim. Claro que, para ela, nada disso era preciso. Eu tinha certeza absoluta de que ela já havia lido tudo em meus olhos quando estes se encontraram com os seus.

- Oi - ela disse.

Por mais que tivesse vontade de não responder, de sair correndo dali enquanto conseguia manter as feridas fechadas, a certeza de que não havia mais tempo para isso me obrigou a dizer alguma coisa. Ou a tentar, pelo menos.

- Oi - ela repetiu, estendendo a duração de cada uma das vogais. Percebi, então, que não a havia respondido.

- Oi. Como vai?

Ela sorriu e não respondeu. Eu estava tão atormentado por seus lábios que sorriam, debochados, para mim e por seus olhos gentis e ao mesmo tempo provocativos, que nem percebi que ela tinha meu telefone em suas mãos. Só me dei conta disso quando ela desviou o olhar de mim para apontá-lo na direção do objeto sujo de areia que segurava à minha frente. Peguei-o, desconcertado, agradeci e enrubesci em seguida, ao constatar que ela fora capaz de ver minha foto de fundo de tela, onde havia um casal que se parecia muito conosco, mas era cerca de oito anos mais jovem.

Uma menina que deveria ter uns três anos interrompeu nossa tentativa de conversa, abraçando as pernas daquela mulher estonteante à minha frente e, chamando-a de mamãe, a pediu para irem embora.

- A gente se vê por aí... – ela disse, ainda com aquele sorriso no rosto, para logo depois se virar, pegar a criança no colo e desaparecer da mesma forma como apareceu: sem rodeios, sem aviso, sem o mínimo de piedade pelo mundo ao seu redor. Ela era seu próprio mundo, sempre fora. Agora, parecia que uma linda menininha o habitava também. E eu seria capaz de tudo para saber o que fazer para igualmente a ele pertencer.

- Sim, a gente se vê... Todos os dias... – e continuei a olhar meu telefone...

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Quem sabe...

Um dia eu conheci você...
E você ganhou minha confiança da forma menos provável possível.
Me puxou para você e eu não hesitei, nem sequer por um momento.
Passamos horas falando de nada, nos embriagando e tentando adivinhar o que nos reservaria a vida.
Meu real interesse em estar a sós com você foi encoberto por um sentimento que sinto por pessoas cuidadosamente selecionadas por mim.
Me ganhou de uma tal forma que nem eu entendo.
Que doce é esse que você tem?
Seduz, fascina e some.
Aparece, fala de tudo e sobre tudo, some de novo...
Sinto sua vontade de ir além.
Percebo cada detalhe enquanto você tagarela por horas, mas não arrisca por receio de que tudo o que temos se desmorone. Ou será somente respeito?
Espera em mim o que tenho vontade, mas aguardo em você o sinal de partida.
Depois é diversão.

Lú Costas.

Lú Costas é amiga Dellas e escreve com co-participação. Ela escreve no blog Negra Lú.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tanto tempo depois

A verdade é que eu fiquei super feliz porque você voltou. Quando você chegou, eu te olhei da mesma maneira, com vontade de te abraçar e te desejar um bom retorno e te apertar de novo! Curtir minhas ondas, beber uma cerveja, trocar uma ideia. Meu amigo voltou! Mas a parada é que você é inconstante e tem uma má reputação na fila do pão francês. Você começou a marcar presença e eu? Comecei a confundir amizade com interesse, no momento que eu fugi do chão, do papo e da ideia de ficarmos sozinhos. No instante que meu olhar se prendeu no seu por mais meio segundo. É normal confundir amizade com interesse quando você entra em sintonia com as borboletas. Elas se atiçaram um tanto, depois daquele beijo travado no tempo de tanto tempo e depois de tantos anos, e depois... E depois você não apareceu do jeito que eu quis. É cara! É difícil falar que eu te quero quando existe uma intimidade prévia do “a gente”, e essa ansiedade do “vai que” sempre me matou um pouco! Eu sorri discretamente porque falei sobre você. Talvez eu tenha vontade de te dizer isso... E depois arrancar sua roupa. Talvez eu quisesse que você já tivesse arrancado a minha. O problema é que eu sempre me meto nessas furadas loucas. Pulamos a parte de nos conhecer, já nos conhecemos bem, muito bem... E você vai embora em pouco mais de um mês, eu sei o motivo mesmo sem que você precise me dizer. E no final das contas, você vai voltar pra lá de onde veio quando eu fiquei super feliz. Veio pra cá me deixar esse beijo “top 5”, e sendo como for, ou como foi, de uma coisa nós temos certeza: Vai acontecer de novo...


Íris Pietro.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Nada muda

Você estava de blusa social, você me queria e eu te queria também. 
O meu jeito insensível se encaixou perfeitamente com o seu jeito estúpido de ser e nos mantínhamos a margem. A tal margem de segurança, que por diversas vezes falávamos algo e logo atrás vinha a continuação com um bom, falso e sonoro "to brincando". E essa frase ecoou algumas vezes, me escondi e você se escondeu também. Não sei, talvez você tenha mudado, talvez eu tenha, só siga meu conselho, fica bem longe de mim, não passe sua mão em mim, não respira perto, pegue tudo e vá embora. Apesar de eu achar que não tenha mais nada pra levar. Então pegue a sua respiração, a sua mão e os meus desejos e leve com você.
Tô brincando!
Tem coisas que não mudam...

Íris Pietro.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O único lado


O meu melhor lado é quando ainda estou aqui, bate desse lado que serei capaz de te dar o outro. O meu melhor lado é que sou difícil de cansar quando ainda existe algo. Escuto de tudo, aceito bastante, vá e volte quantas vezes você quiser, só cuidado, o meu pior lado chega sem avisar. Chegue atrasado em todos os nossos encontros, me bata, me ignore, suma. Mas enquanto minha ficha não cair sozinha, ainda estarei aqui, mesmo machucada, mesmo sem dormir direito, mesmo segurando o choro, mesmo assim ainda estarei aqui.
Eu consigo aceitar e suportar o peso de tudo, enquanto eu quiser, estarei aqui. Quer me xingar? Me fazer passar vergonha? Sem problemas, eu estarei aqui. O seu perdão é ouvido, é aceito. E com isso eu ganho que você entre novamente na minha vida, abra a porta e eu veja mais uma vez que eu consigo passar por cima de qualquer coisa acreditando que as pessoas aprendam com o erro. Não que não aprendam, mas o erro só é lembrado se vier como um castigo, caso uma desculpa traga um sorriso e o coração aberto, sinto muito, ninguém aprende com o erro. O meu melhor lado pra você, é o meu pior lado pra mim. Por que eu sinto todas as vezes que deixo alguém usar o meu melhor lado, eu sinto de todos os lados e em todas as partes. E quando o meu pior lado entra em jogo, ai sim eu me sinto nas nuvens, eu estou bem comigo mesma. O meu pior lado visto por você quando eu cansar é quando você não terá espaço pra nada. O meu pior lado me faz bem, eu saio da obrigação de te aceitar, eu não acredito mais em uma palavra que diz, eu não quero mais nem escutar. Fim de jogo, saia daqui. O meu pior lado não quer te ver mais, o meu pior lado não te aceita mais. O único lado que passa a existir te deixou e agora chega. Tchau, não precisa fechar a porta, apenas não ouse mais entrar aqui. 

Íris Pietro.