domingo, 30 de junho de 2013

Você...

Você...
Você me entontece.
Seu cheiro me inquieta. Sua presença me distrai. 
Você, me supera, me pega de saia de justa (e quando pega, eu gosto!), me surpreende. Você é meio instantâneo, sei lá, acho que a sua pele combina com a minha. Acho que seu gosto combina com o meu. Acho que seu devido olhar me paralisa. 
Você, me seduz, me induz. 
E a único critério que não me faz te achar um fardo é a resposta à pergunta: eu seria feliz ali? Será?!
Nunca tive certeza de você, não apenas de você para mim, como de mim para você. Talvez a dúvida seja o paradigma que me faz desenhar em você a resposta que impulsiona minha escolha de me mover na sua direção, talvez seja estar contigo, talvez seja o tesão. O nosso tesão.
A verdade é que eu queria, pactos, velocidade e intensidade. Eu queria ser devorada com deleite, como uma criança que ganha um presente acreditando ser do papai Noel.
E quando não se obtém o que se espera é água fria. Ainda, talvez.
Talvez você seja o lado errado, e eu correndo rápido pro lado errado, acabo longe, longe, longe do meu caminho certo.
Mas eu? Eu uso toda a minha força, para lembrar você da nossa existência.
Você... 


Penélope Pren.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Inconsequente.



Tudo o que eu sempre guardei pra mim, todo o silêncio que eu te ofereci. Toda falsa escolha que eu tive, pra que? Todos os telefonemas que eu fingi que não escutei, todas as festas que eu não podia ir, todo o julgamento que você não quis encarar. E eu, consenti. Por que?Todo beijo que eu não pude dar, todo olhar que eu deveria evitar, toda fofoca que eu nem devia me importar. Todos os comentários que eu não podia maldar, todo o comportamento que eu deveria entender, todas as desculpas que eu deveria engolir. Tudo isso, pra que?
Tudo que eu tive que deixar pra lá, todos os erros que eu tinha que ver como normal, todas as vezes que minha voz foi calada, todos os constrangimentos que você me fez passar, todo o amor que você disse sentir, todo carinho que você não soube dar, toda palavra que você não soube manter. Pra que ?
Você é um garoto. Inconsequente. Inconsequente.



Penélope Pren.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Acidentalmente, um flerte!


Somos completamente diferentes. Pertencemos a mundos distintos. Vejo em nós o exemplo perfeito daquela famosa frase: “Homens são de Marte e mulheres são de Vênus”. E mesmo assim eu não encontro palavras na hora de descrever o que acontece entre você e eu. Não entre nós, porque simplesmente não existe um “nós”. O que existe é um “você” e um “eu” que, esporadicamente, figuram na mesma frase.
Você tem traços delicados, aparenta certa fragilidade que não existiu quando me tomou nos braços a primeira vez. Você me puxou, me jogou na parede e me roubou um beijo. Gosto disso!
Depois veio o segundo, o terceiro e eu parei de contar. Gostei. Gostei mesmo! A nossa química flui... Extravasa.
Quando estamos juntos, deixamos qualquer um com água na boca. Somos quentes! Pegamos fogo e incendiamos tudo ao redor. Aliás, nossos encontros deveriam ser sempre precedidos por um daqueles avisos de “Cuidado. Altamente inflamável!”.
Chega a ser cômico saber que você não era uma das minhas opções de possíveis flertes. Acidentalmente um selinho involuntário ao se despedir fez de você o melhor deles.
Meu sangue ferve quando você está por perto, porque mesmo que você não esteja no meu campo de visão, consigo te perceber ali, me devorando com os olhos. E você me devora e me despe de roupas e preconceitos sem nem ao menos encostar em mim.
Você não me liga, não manda mensagens... Quase nunca nos falamos e não temos muito assunto em comum. Mas quando estamos juntos os nossos corpos se entendem, nossos desejos se completam e nossos beijos destroem qualquer superficialidade predefinida que possa vir a existir.

Felícia Bacci.

Ele foi me deixando...

Em menos e bem menos tempo que eu, ela já alcançou tudo o que eu esperei que um dia fosse acontecer (comigo). O tempo inteiro que ficamos juntos eu acreditei nas palavras dele. Nos gestos e em cada essência que ele deixava no ar, e enquanto isso, ele me deixava pra trás.
Todo dia, era um pouco mais, ele ia me deixando ali. E cada vez mais eu estava afogada, tentando respirar e só vinha o cheiro dele, ele, nele. E ele ia deixando... Ele tava gostando. E eu sei, que eu fui o passatempo preferido dele, enquanto ele não conseguia encontrar a esposa de verdade.
Enquanto isso, ele ia me deixando. Me enganando. Me colocando pra escanteio, mentindo com palavras de "realidade", tirando meu lugar. Mentindo, mentindo, mentindo. Me deixando.
De lado. Pra trás. Sem ver. Tampando.
Ele foi afundando meu rumo. Esperando a hora certa de realmente se deixar. Se tirar de mim. E enquanto ele não arrumou a nova namorada, mulher. Ele ainda falava: "Tenho saudades". E ele falava achando que eu sempre senti o mesmo que ele, e nunca foi. Eu nunca o deixei. Eu nunca.
E hoje eu percebo, com o peito em pólvoras, pronto a explodir, que ele não deveria ter me tentado a acreditar. Que seria melhor se ele não tivesse ao menos aparecido. Não por mágoa, mas porque foi a maior mentira que eu vivi.
Nem tudo que foi bom supera a dor, de ter com ou sem ele, sido deixada o tempo inteiro, pelos pais, pelo emprego, pelo sono, pelas reuniões, pelos amigos, pela família, pelo hit, pelas outras, pela outra, pelo respeito.


Penélope Pren.

Apaixonei, vi que era burro, desencantei.


Você que fica lindo de terno.
Você que tem um sorriso ardiloso.
Você que ficaria perfeito em minha cama, é casado. 
É um pai de família. Chega em casa e brinca com o filho. 
No fim de semana, pinta as paredes de casa junto a sua amada esposa.
Você que dá um duro danado e é digno da minha admiração por vários motivos, não será meu. Não preencherá o vazio do meu coração pelo buraco entre as minhas lindas pernas, pelo simples fato de você não conseguir empregar o plural e falar burrices tão  formidáveis que chega a ser motivo prum texto qualquer, de um dia qualquer... 
Você que é o meu número parece já ter encontrado o seu. 
E graças a Deus, porque se dependesse de mim, você morreria solteiro e encalhado. Deus me livre de homem casado, mas Deus me livre mais ainda de homem burro! 


Yasmin Bardini.