terça-feira, 28 de outubro de 2014

Cê para!

Sou filho de nordestinos e não concordo com os insultos propagados depois do resultado da eleição presidencial, realizada no último domingo. Não concordaria mesmo se não tivesse nenhuma relação com o nordeste. Inclusive, muitos desses insultos são criminosos. Você pode odiar quem quiser, mas a partir do momento que expõe esse ódio tem que arcar com as consequências. Por outro lado, vi muita gente que também se opõe a esse discurso xenofóbico (nordestinos ou não) desejar que o povo de São Paulo morra de sede por ter votado em Aécio e ainda dizer que o candidato merece ter uma overdose de cocaína.
Não foram os partidos que separaram as pessoas. Elas não precisam de políticos para isso. Incrível como não conseguimos conviver com diferenças em um país tão plural. Nós fingimos que aceitamos o outro até termos a chance de culpa-lo por algo que não queríamos que acontecesse. Dizem os estudiosos da Cibercultura que no futuro as diferenças existentes no mundo entrarão em conflitos violentos, uma vez que o planeta estará ainda mais conectado. Agora entendo o sentindo de "o Brasil é o país do futuro".
Nesse caso, prefiro o passado. Prefiro a arte. Que é eterna! Prefiro a música. Caetano, que apoiou Marina, diz: "É que Narciso acha feio o que não é espelho". Fagner, que levantou a bandeira tucana, empresta sua bela voz para a letra de Carlos Barroso "Tenho certeza que você gostaria dos mares bravios das praias de lá, onde o coqueiro tem palma bem verde balançando ao vento pertinho do céu. E lá nasceu a virgem do poema, a linda Iracema dos lábios de mel".
E Chico, que ficou de Dilma, nos ensina: "Para um coração mesquinho, contra a solidão agreste, Luiz Gonzaga é tiro certo, Pixinguinha é inconteste. Tome Noel, Cartola, Orestes, Caetano e João Gilberto. O meu pai era paulista, meu avô, pernambucano, o meu bisavô, mineiro, meu tataravô, baiano. Vou na estrada há muitos anos sou um artista brasileiro".
Brasileiros e brasileiras, ainda há tempo para aprender: não se combate ódio com ódio. E não existe amor pela metade. Nem no nordeste, nem em SP.

Felipe Lucena.


Felipe é amigo Dellas e escreve no blog Maldita Inclusão Digital.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Manual de sincronia.

As pessoas deveriam vir com manual de instrução, suporte técnico, garantia e satisfação ou sua paz de volta. A gente vai esbarrando com gente que tira nossa paz, vez ou outra a mesma pessoa que te explode de entusiasmo te tira o brilho da vida, essas pessoas deveriam ser sintonizadas em algum paralelo do nosso mundo. A gente vive se escondendo entre o real e o irreal criado por nós mesmos todo o tempo, o tempo inteiro. A gente idealiza pessoas e quando por algum acaso a nossa dura imaginação se transforma à realidade do que realmente é, é como enterrar vivo um sonho tão vívido. As pessoas mudam de ideia e deixam de te amar e aceitar isso é mais difícil do que parece, é uma tortura agoniante o que nossos instintos sentimentais fazem com a gente. E se tivesse um botãozinho? Uma sincronia com a realidade? Um apagar HD das nossas mentes? 
O puro lance é pegar o bonde pelo caminho e olhar pra trás só pra ver o que está vindo na frente. 
O amor sempre sofreu de infinito ou de barreiras.
La vie... 

Penélope Pren.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Eu ainda te amo.

Hoje eu pensei em você o dia todo, talvez nem tanto em você, mas em mim. Mexendo nas fotos, me dei conta que o tempo passou rápido, que nos perdemos em algum lugar, nos perdemos de algo tão sério. Você se perdeu de algo tão sério... Ficamos juntos quantos meses? Dois? Três? Quatro? Se você ficou comigo 120 dias, eu fiquei 365 com você. E quando tive certeza do meu amor por você, eu não me coloquei freio, eu deixei vir mesmo que tardio. O amor não se freia e aprendi a te amar de uma forma diferente, não te abandonei. Mesmo engolindo meu amor nas manhãs junto com seu mau humor, eu te amei. Mesmo assumindo um amor por outra pessoa, eu te amei. Mesmo não te vendo, não falando e não te sentindo, eu te amei. Mesmo saindo todos os dias, mudando meu rumo, mesmo compartilhando histórias dos meus casos com você... Mesmo com alguns beijos errados dados escondidos nos seus lábios, ainda assim, eu te amei. Nos conselhos, nas brigas, no silêncio. Não estaria aqui falando com você, se eu não te amasse. Mesmo que transformado, ainda é amor. Quantos "Hoje não da", "Agora eu não posso", "BJ" eu recebi de você. Quantas vezes eu quis saber de você, só se dormiu bem, se comeu direito, e conversar sobre as cuecas novas que não enrolam nas suas pernas. Quantas vezes eu te quis bem e não te liguei, não mandei mensagem e apenas deixei pra lá. Mesmo com tudo isso e sendo essa pessoa que não reconheço mais, eu te amo!

Íris Prieto.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Aquela prosa troncha...

Eu posso te acostumar a viver uma vida meio tonta. Você nem sabe que eu não caibo mais em mim, mas eu posso te acostumar sim, fazer um cafuné...   No momento que eu te ganho, posso ser o que quiser e você me dê o que vier, aceito trocados de afeto, aceito teu completo. Eu posso te acostumar em mim. Se você jurar eu perco até os controles, deixo tontear. Nesse embalo de corpo do toque, doce que embola.  Eu faço planos d'uma viagem pro litoral, na terra, no matagal. Num quarto qualquer pela cidade, só pra te ver sorrir pra mim, sem hora e demora.  Uma vida inteira pra viver. Ah! Meu bem... Mesmo que seja só um dia.  A gente pelo menos aproveita mais, a gente pode tirar foto, a gente pode fazer. E o que tem? A gente tá aqui, ué. Eu posso te acostumar, eu posso sim. A gente pelo menos aproveita aqui. Ai de mim! Que não caibo mais...  Na ânsia de sentir o que meu amor não vê. 

Penélope Pren.

Nem tudo, nem nada.

Estranhamente hoje, não é o que sempre foi.
Mas mesmo assim, os encontros que temos as escuras, me faz uma cega num tiroteio no Morro do Alemão.
Não que eu dependa do seu “Boa noite”, mas a noite realmente se torna boa.
Não que eu te queira na minha vida e nem completamente ausente.
Não que você tenha sempre razão, mas também que nunca tenha.
Não que eu estarei sempre aqui, mas nunca te deixarei sozinho.
Não que eu te odeie, nem que eu te ame.
Não que eu queira sair do meu mundo e nem muito menos entrar no seu.
Não que você me domine, mas gosto de você perto.
Não que eu esteja certa, nem muito menos saiba o que esteja fazendo.

Íris Prieto.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Meus sinceros parabéns!

Aí, você aparece do nada. 
É como um soco no estômago, mais um texto melancólico. 
Aêêê, parabéns seu inconsequente!
Inconsequência essa que você desconhece porque não sabe de nada que se passa aqui e nunca saberá. 
Eu me lembro de tudo e mais ainda do controle ilusório dos meus sentimentos. 
Parabéns! 
Meus parabéns por nem ser seu aniversário e eu te dar de presente a soberania em tudo o que eu sinto, penso, conjecturo e quero.
Me dei de presente, de novo.
Mas nem cheguei perto de você.
Só apertei a sua mão.
Só olhei no seu olhar.
E eu me frustro, e corro atrás de qualquer possibilidade pobre, podre, pequena. E me frustro mais ainda.
Eu me sinto rejeitada por pedaços da minha história que (assim como você que também deveria ser) são irrelevantes.
Mas de alguma forma mágica, e inquietante, não são. E você também não é.
E é dentro dessa loucura tão minha e tão envolventemente singular que só me permito dizer parabéns por todo espaço aqui dentro que é seu.


Yasmin Bardini.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sexamor!

É um orgasmo inexplicável a sensação do corpo quente colado e suado com o seu, a calcinha no chão, o lençol bagunçado.
O cabelo espalhado na cama e a canseira do depois. É inenarrável o sexo com amor.
A mexida vagarosa que segue o mix de cheiros e pelos misturados, entranhados. A delícia da pelve latejando e o abraço seguido de um olhar escandaloso de silêncio, certeiro. Amor.
Aquele sexo com tantos gestos e eu te amos soltos, misturados com a sujeira explosiva da paixão gemida.
É o melhor lugar do mundo, aquele que não vai embora e que te deixa presa pela respiração ofegante, o riso frouxo e aquela plenitude leve de almas sexuadas que se completam. Sorrindo, deixados na cama eufórica, rodeados de carinho unido e seduzido de êxtase encantado. Só nesse momento de combinação de fragrâncias e coração que se descobre o que é a essência de sexo, a junção envolvida.
Se entregar só é possível quando o amor faz os dois corpos pulsarem, em uníssono, e tão atemporal que só ali a vida faz sentido, transbordar de amor.

Penélope Pren.

Seus olhares...

Você ainda anda cruzando o seu olhar com o meu.
Você pode não se lembrar de mim, mas seus olhos reconhecem as minhas curvas quando passeiam pelo meu corpo toda vez que eu passo por você.
E eu sinto cada olhada como uma mordida. Como se você cravasse seus dentes na minha pele, dilacerando a minha carne, deixando seu veneno se misturar no sangue que pulsa em minhas veias, fazendo acelerar meus batimentos.
E eu fico aqui em carne viva, doendo, porque, apesar de intensos, são apenas olhares.
E eu, masoquista, fico aqui, desejando o toque, querendo o cheiro, implorando um beijo que nunca acontece. Eu fico aqui imaginando o que poderia, mas não vai, acontecer. Eu fico aqui sonhando com o depois. Aquele depois suado, mordaz, fulgaz. Aquele depois de um antes mal intencionado, secundário em intencões. Aquele depois cujo o durante fica só nas entrelinhas. E o antes são apenas olhares. Seus olhares.

Felícia Bacci.

Sobre o amor...

Certas coisas nunca mudam... Felicidade de sexta, mesa de bar, sono da tarde e relacionamentos! Não passa uma troca de prosa sem que entre em voga o tal assunto preferido (e não é só das mulheres, ok?), e a pergunta é: Por que a gente só sabe falar de amor? Por que só o amor, a falta dele ou a vontade  de sentir, inspira?
Algumas pessoas dizem que é isso que ainda falta para se sentirem completas. A tal metade da laranja. Outras já tentam convencer que não precisam de alguém para serem felizes. Tem gente também que insiste em só ser feliz quando amando, pagando o preço alto da solidão sofrida. Outros só conseguem enxergar o amor que deixaram para trás, sem viver o que está por vir. Ainda tem os que apostam que perderam seus grandes amores e que a vida nunca mais terá aquela cor vibrante de outrora. Tem uns que só falam de amor porque ainda não sabem o que é. E alguns não sabem amar.
Felizes mesmo, aqueles que falam de amor, amando. É que o amor é a gasolina do bom humor. Iludidos aqueles que acreditam buscar o complemento da felicidade no outro... na verdade, buscamos nós mesmos dentro de algum sentimento de fora. Ah! O amor... Para que tem, preze. Para quem não tenha, venha! O amor...

 Penélope Pren.

Meu primeiro encontro do Tinder.

É sempre uma expectativa imensa encontrar alguém depois de uns papos virtuais. Tá certo que falar por mensagem é bem mais fácil, mas não cria química, pele, sabe? Parecia que a gente se dava muito bem, sem nunca termos nos visto. E é aí que surge o “Vamos tomar um chopp?”.
Eu o escolhi lá no Tinder! E olha só, combinou... E então a gente decidiu se encontrar e aí, vem uma sensação muito louca... Sei lá... Uma mistura de gastrite, pânico e uma ansiedade psicótica! (Eu sabia que deveria ter tomado um Rivotril antes!) E começa um “Era uma vez no Tinder” modesto.
Em uma quinta-feira fria a gente marcou o tal chopp. Eu não segui nenhum dos protocolos que “toda mulher deve fazer” no primeiro encontro. Saí do trabalho e fui com uma amiga para um bar esperar o rapaz bonitinho da foto, aparecer. Levei uma amiga messsssmo! Você nunca sabe o que pode encontrar, e pior que isso, o que ele vai achar de você. Na verdade, um primeiro encontro parece algo muito adolescente de filme americano... Quando no fim da noite o casal, meio sem jeito ainda, fica se pegando no meio da rua mesmo...
Já disse que ele é mineiro? Então, ele tem aquele sotaque gostoso de Minas, que dá vontade de apertar. Ele foi uma mistura muito boa do que a gente espera que seja, não é previsível, fala bastante, discute bem, me chamou de “querida” no meio de um bate boca, tem sorrisinho de meia boca, pisca o olho, faz carinho, beija bem... 
Então... A minha amiga foi embora e eu não lembro bem em qual momento, não. O que eu lembro é que o encaixe da boca deu tão certo que não dava vontade de parar nunca mais, ainda assim esse “never more” acabou antes do que a língua gostaria, e, depois dos amassos na rua, fomos embora. Relutantemente, fomos embora...
A melhor forma de saber se o primeiro encontro foi bom... É tendo o segundo. Resumindo, meu primeiro encontro tinderiano foi ótimo, e até já tive o segundo, menos modesto, menos meu e mais nosso.

Penélope Pren.

Quer um conselho?!

Dizem por aí que quem avisa amigo é.
Amigo, né?!  Sei não... Teu conceito de amizade anda passando bem longe do meu. Teu conceito de certo e errado se perde nas suas meias verdades que você julga, com tanta propriedade, serem inteiras. E te cegam a tal ponto, que você não consegue discernir quando é hora de falar e hora de calar. Quando é hora de se fazer presente e hora de se ausentar.
Você anda falando demais e anda fazendo de menos. Você anda matando a bola no peito e chutando pra fora. Um atrás do outro, você vai descendo os degraus e caindo no conceito de todos.
Em certos momentos, não dá pra ficar em cima do muro. Ou você escolhe um lado e desce, ou vai acabar caindo de lá por pressão, talvez até, tombando pro lado errado.
Mas e aí, quer um conselho?! Abre teu olho!

Felícia Bacci.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Acasos desaforados

Ele é o tipo de homem de história antiga, de água com açúcar e mela cueca. 
Não é ninguém especial e de forma alguma entra no meu ciclo como meu amigo. 
Ele às vezes está disponível outras vezes quem está sou eu, e quando esse tempo é igual, a gente se esbarra.
E foram alguns esbarrões que a gente tomou um do outro, e ainda assim tão poucas foram as vezes. Eu já o usei. E ele? 
Provavelmente deve ter me usado algumas boas vezes nessas tão poucas e tantas vezes que a gente deu esse encontrão.
Só que nesses últimos encontros de nós dois, que sempre sendo um só pareciam três, não foi só a adrenalina e o tesão que tomaram conta dos nossos poros, pelos e sensores corporais. Houve aquele momento mágico  e certeiro de caça e caçador. 
E ali ele assumiu o domínio sobre o que poderia acontecer dali em diante.
E o máximo que eu pude fazer foi aceitar aquela submissão subjetiva.
Não estava mais nas minhas mãos, e com isso deixar o orgulho arder de ter que ficar na mão de quem sempre esteve facilmente sobre o simples espontâneo.
E tendo sido desta forma, ele foi reinar em outra freguesia, como corriqueiro, sendo desta vez um tanto repugnante ao meu íntimo, mesmo sendo eloquentemente involuntário da minha parte, ter travado uma batalha imaginária com a rival, que nesse momento cantava vitória pelo ser, que ora pois, eu nem amei. Nunca amei.
O fato é esse, é que eu nem amei. E eu pagava pra ver que ainda hoje, sem nunca ter amá-lo, sem nunca o ter querido tanto assim, e simplesmente pelo jogo delicioso que ele me provocava, e só ele mesmo, eu queria ter vencido e ele sempre soube afinal, e por saber se deixar acha tão dominante que me choca ainda hoje sua certeza sobre mim.
E eu ainda não sei responder quantos tapas eu daria na cara dele, até que ele arrancasse minha blusa de novo.
E eu? Eu realmente não sei quantos tapas seriam...

Penélope Pren. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Até o sol raiar!

"Ih, to sem identidade!", "Vai em casa e pega, te encontramos no caminho.". 
Vai. Pega. Espera.
"Cade vocês?!", "Nos perdemos, que falta a Raquel faz!". 
Chega.
"Até que enfim!".
Partiu...
”Onde estão as outras?". 
Encontra.
"E agora, o que faremos?", "SURUBUBA!", "Muito caro! Como faz?", "Vou dar meu jeito!".
Não deu. Volta e busca as outras.
"Vamos todas!".
Vai. Fica na fila. Espera.
"To com fome!", "Porra, Patrícia!", "Valeska, vamos comer?", "Vamos!".
Vai. Come. Volta. 
"Cade elas?!", "Conseguiram. Já entraram!". 
Fica na fila de novo. Espera. Entra também. Todas juntas. Aêêê! Pega a bebida. Sobe. Dança. Beija. 
"Po, me machucou!"
Desce. Pega bebida. Dança. 
"Ah, é viado! Ih, não é não!".
Foge. Sobe. Faz amigos. Dança. Desce.
"Oi, não ta me reconhecendo, não?!". 
Beija. Pega bebida. Sobe. Dança.
"Ah, nem quero flertar. Porra, já to flertando!", "Eu vou lá!", "Se você for, eu vou ficar bolada." 
Beija. Desce. Pega bebida. Dança. Sobe. Beija. 
"É potuguês e é maluco!".
Foge. Dança. Seduz. Dança. Seduz. Beija. Desce.
"Taquipariuuu, gringalhada chata!".
Sobe. Dança.
"Ih, não é argentino não!".
Dança.
"Cade a Amanda, gente?!", 
"Ih, foi embora!", "Ah não, ta ali!".
Faz amigos.
"Tá tarde, vambora!". "Cade a Aline e a Thaísa?! Chama lá!".
Paga a conta. Sai. 
"Corre!".
Pega o ônibus.
"To com fome!", "Vamos tomar café na padaria?". 
Vai. Come. Vai pra casa. Hora de dormir.


História Dellas. 

domingo, 29 de junho de 2014

Não quero ser metade!

Não sou meio sua. Não quero ser metade. Não lido bem com elas.
E a verdade é que agora eu já não quero ser mais nada.
Eu cansei do benefício ou malefício da dúvida.
Eu cansei dos "será", dos "talvez" e dos "se" que sempre permearam a nossa história.
Se é que existe uma história nossa. Ou existia.
Eu to mudando meu caminho, a essência das minhas escolhas que sempre me fizeram pegar a trilha até você.
O destino sempre conspirou a nosso favor, mas a gente fez questão de remar contra a maré.
E eu que nunca gostei de nada que não fosse inteiro, tentei ser incompleta com você e acabei vazia.
Então resolvi não querer nem pouco, nem muito.
Eu resolvi não querer você nem perto, nem longe.
Resolvi não te querer.
Daqui pra frente eu só levo o que eu puder carregar na bolsa, e, definitivamente, você não cabe nela.
Nem no coração.

Felícia Bacci.

Sede insana de você.

Depois de algum tempo, te tirei do meu melhor sentimento, a socos e ponta pés. Com muito sacrifício você saiu, me custando alguns litros de água saindo dos olhos. Saiu de mim, fechou a porta e por um lapso de insanidade, estava eu lá com um desejo incoerente de querer o seu corpo. 
Estava lá querendo escutar cada ranger da cama e o abuso que poderia ser feito naquele instante, estava gostando daqueles tapas pesados e o seu cheiro passando para o meu corpo. E a cada vai e vem, você vinha com mais força, me deixando sem ar com o prazer que meu corpo sentia. Sede matada e quando se abre os olhos novamente: porque eu fiz isso?! Fiz, por que se não fosse a força do seu corpo me empurrando contra o seu, não teria tanto prazer, porque no meu corpo você pode até entrar, mas em mim, você não só saiu e trancou as portas, como também agora a chave só pertence a mim.

Íris Prieto.

Quantas vezes?! Quantas?!

Quantas vezes eu vou precisar dizer sim pra mim só pra aprender a dizer não pra você?!
Quantas vezes eu vou precisar me desligar de mim só pra conseguir não pensar em você?!
Quantas vezes eu vou precisar chorar só pra não te entregar o meu sorriso?!
Quantas vezes eu vou precisar engolir em seco só pra não umedecer minha boca com a sua saliva?!
Quantas vezes eu vou precisar virar as noites em claro só pra não te permitir aparecer nos meus sonhos?!
Quantas vezes eu vou precisar me forçar a sentir raiva só pra não sentir saudade?!
Quantas vezes eu vou precisar atravessar a rua só pra não deixar nossos caminhos se cruzarem?!
Quantas vezes?! Quantas?!
Estou livre, mas sou refém do que você me fez sentir. Sou prisioneira do calor que me invade toda vez que você chega perto de mim. Sou escrava dos desejos que me tomam quando você diz que me quer.
Sua imagem vai e vem e eu sempre fico aqui, esperando sua próxima aparição.
E quantas vezes mais eu ainda vou esperar?! Quantas?!

Felícia Bacci.

terça-feira, 27 de maio de 2014

É o medo que instiga

Nunca tive medo de gente, pelo contrário, morro de medo da solidão. A solidão devora imensuravelmente a alma das pessoas. E não acredite nesse papo de "estou sem tempo", temos tempo sempre para aquilo que a gente prioriza, é... A verdade é essa. Morro de medo de tantas coisas e prendo o choro por todas elas, talvez todo o sentimento bom que eu te dei, tenha sido cenas perdidas e você quis mesmo, foi me largar pelo caminho. É impossível rebobinar histórias, ou fazer uma gota de água ter sentido a não ser que o balde esteja vazio. É como você me fez sentir, uma gota de água em um oceano transbordando.
Talvez a hora errada faça com que pessoas erradas sejam perfeitas. Mas não são. Então eu descubro que a vida se vive vivendo e que é justamente por esse caminho que se encontra a alegria, e paro de vez, de tentar reconquistar. Já esbravejei, já me fiz de indiferente, já conversei, já fiz o que podia fazer, já tirei minhas conclusões erradas e já voltei atrás, não deu. Deixo ir, então. Porque a hora é agora, exatamente agora, deixo-me ser para você absolutamente descartável, por mera opção.
Ninguém é insubstituível, nem eu e nem você. Sempre fui muito intensa em tudo o que pude te dar, e no lugar que te ofereci na minha vida, eu sei que mudei completamente a sua vida, e agora, eu tenho que de alguma forma sangrar por isso, algumas coisas só mudam, depois que a gente mata o que mais bonito tem na gente.
Eu tenho meus grandes defeitos e um deles é ser passível ao desprezo, e com minhas pequenas mudanças, tenho estado um pouco intolerante. Pode ser que você me aponte o dedo para dizer os mil erros que cometi ou dos mil problemas que você pode ter, mas eu? Nunca te abandonei. Talvez um dia você sinta falta, talvez não. Mas de qualquer forma, com um toque de bom humor, a gente levanta. Por que de você, eu não sou capaz de aceitar nada que seja menos. Talvez eu tenha inventado todo esse bem-querer mesmo. Parece que as grandes decisões são que mudam o rumo, mas na verdade são essas pequenas distancias que transformam tudo.

Penélope Pren.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Um amor de cama.


E nessa, de seguir a vida.
Um rapaz surge.
Ele fala gírias, ele é um pouco esquentado, estuda à beça.
Já é formado, já fala 3 línguas, mas gosta de electronic music, ele gosta de fanfarrear, ele gosta de exibir seu carro, e suas conquistas.
Mas ele faz isso tudo com o próprio dinheiro.
É inteligente, é sexy, ele é gente boa, coração mole.
Em um corpo de quase 2 metros, gostoso com cada músculo torneado.
Ele sabe que é gostoso e que se me pegar de jeito, eu não vou querer nada além de sugá-lo até sua última gota de sexo bem gostoso.
E pronto, eu sugo.
Desde aquele último cara, aquele que me deixou meio viva, meio morta, eu mereço  um amor de cama.
Eu não sei ao certo se ele tem algo a ver comigo, mas eu nem quero saber.
Nos conhecemos na festa de um amigo, trocamos números e trocando mensagens, nos conhecemos mais, nos provocamos, nos atiçamos e marcamos.
Vamos sair!
Saímos.
Pra comer e ver filme.
Fizemos os dois, mas ainda era cedo e fomos beber.
Fomos para a casa dele, começamos a nos atracar na escada mesmo.
Arrancou a calcinha como se fosse de papel, eu o sentia como se seu toque fosse de algodão.
Ele  explodindo e me querendo, entramos  na casa dele quase que arrombando a porta.
Ele me jogou em cima da mesa de jantar e que Deus me perdoe, foi lá mesmo.
Do jeito que eu gosto bem selvagem, e terminou no chão.
Com marcas pelo corpo, suor, bagunça.
Aquele que não deve ser nomeado ainda me assombra, mas eu tô a cada dia, mais pronta para exorcizá-lo de mim e de cada parte ávida do meu corpo.


Yasmin Bardini.

Seguindo a vida enquanto ela segue.

"Nossa, há quanto tempo você foi!" "Já nem me lembro de você." "Estou tão bem sem ele." Que até me regozijo de tanta bravura! Palmas! Palmas pra mim que ainda sei mentir tão bem. Que ainda sei esconder todas as coisas tão bem, que as perco dentro de mim e depois as acho como se eles sempre estivessem estado lá. Latejam, querendo recuperar todo o tempo que dediquei minha indiferença a elas.
A cada dia que você não volta, eu me espanto.
Como será, sem eu pelo menos saber de você? Como será, se agora você nem me é visível? Como será agora, que tudo voltou e eu já não consigo mais... Ficar, sorrir, disfarçar... Como será? Se com todos que me beijam, nenhum tem a sua língua, seu suor, seu cheiro e nem a nossa violência das palavras de cada santo desentendimento, por causa do seu ego desmedido.
Eu me arrumo, me perfumo, me estranho.
Mas vou embora, tentando achar alguém que seja pra mim, o que eu posso ser: TUDO. Sem ressalvas. Sem pormenores.
Sem caraminholas. Sem tempo contado, sem brincar de esconder. Eu ando desesperada. Mas vai passar, não que você vá voltar. Porque o meu não foi pra sempre. Mas sim porque eu tenho outros sorrisos pra conhecer, outras personalidades pra admirar, outros cheiros pra me viciar e por mais que demore e você seja o melhor deles, a vida segue. E eu, sigo a vida.

Yasmin Bardini.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Quer que eu desenhe?

Na era do Tinder, fala-se muito da falta de amor ou das necessidades naturais, que depois de anos de casamentos forçados em prol de dinheiro, julgam menos intensos. Na época da minha avó, todos os maridos traiam suas esposas, como se fosse natural. O casamento durou 50 anos. Que lindo! Isso é intensidade, provavelmente?!
Intensidade é respeitar suas vontades da forma mais pura que possa existir, mesmo que efêmero. Seja breve, mas seja verdade. Então o problema é o Tinder? Acho que não. As mulheres mudaram, essa intensidade de amar demais é muito confundida com a aceitação, de um cara que chega em uma mesa e desrespeita sua namorada na frente dos amigos, as mulheres não aceitam mais e nem por isso amam menos. Ei!!! Esse teu costume machista tem que mudar, essa vontade de construção a dois é linda, e acreditem no amor, ele existe, amor não é ceder e entender tudo, isso é maternidade.
O tal catálogo de sexo Tinderiano é uma opção igual à uma balada qualquer, sensações a curto prazo, um beijo e sabe-se lá, contrapondo-se à uma conversa virtual, um encontro para um chopp. E o que vem depois daí, totalmente não é de problema de ninguém.
Sexo casual, sempre existiu. Ou agora virgindade é virtude de novo? Por favor, menos mimimi, por favor!
O amor, meu bem, é natural, não se espante se alguém estiver amando, mesmo tendo uma conta no Tinder. O que me estranha é a “falta” de amor, dos críticos amorosos. O que é amar para alguém que em 1 ano, já namorou e “amou” 3 pessoas? O que é amor, se essa pessoa se apaixona em 2 segundos, transforma a vida de alguém em 3 meses, e diz que tem que ir embora com o clichê do “problema sou eu”? Isso é intenso para você? Isso é amor? Isso é o que?
São tantos “eu te amo” em falso, que é melhor abrir 3 contas do Tinder.
Tinder, Instagram, Facebook, seja o que for, impõe a ditadura da felicidade, fotos lindas e de momentos marcantes, lugares sensacionais, mas cada um tem em si as angústias e mazelas que fazem parte da essência, e tem também, a sensação de saciedade e liberdade, que só a libertinagem proporciona e essa pessoa talvez, seja muito mais capaz de amar, do que muita gente com relacionamentos sérios, cheio de brigas e orgulhos feridos.
As fases são passageiras, cada momento deve ser aproveitado. A doação de amor é recíproca e inesperada; é natural, não tem regra, não tem manual. E nunca, nunca mesmo, deixou de existir. Ele está lá, para alguns mais seletos, para outros mais soltos. Mas não, não confunda tolerância com amor, nunca mais.
Menos teoria, mais vontades, por favor.

Penélope Pren.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Não faça a barba


Só porque fez a barba dez vezes vem batendo no peito dizendo que é homem?
Não. Não é não.
Você sabe o que é ser homem? Então vamos lá...
Homem não é coçar o saco.
Homem não é falar alto, é se fazer coerente.
Homem vai além de fazer a barba e coçar o saco.
Tanto homem quanto mulher, pra mim é o fato deixar de ser uma criança e passar a reconhecer que suas atitudes têm consequências que agora não cai nas suas costas, mas um dia cairá. Aqui se faz, aqui se paga e o troco sempre é injusto, sempre pesa, sempre sai mais caro.
O que me indigna são esses projetos de homens ficarem ai achando que são as oitavas maravilhas do mundo. Meu querido, o que você ganha não tendo caráter? Vamos lá, vou te dizer o que você ganha: Ganha amores passageiros, mulheres vazias e você ganha tempo perdido, você ganha o fracasso da sua vida. Você ganha o falso. O sorriso falso, a cabeça a mil, você não ganha, você perde. Com isso faz de bonecos algumas pessoas que te dedicam algum tipo de amor, carinho ou amizade. Você é estratégico. Você não consegue viver somente com você. E mal sabe que é tão bom se aproveitar. E mal sabe o bem que faz e o conhecimento interno que adquiri, porque só deve a você mesmo a fidelidade, o amor, a sinceridade, faz com que durma feito anjo, não te pesa. Mas acho que sei porque você não consegue viver sozinho e pula de galho em galho, é que na verdade nem você se suporta, você precisa de outra pessoa para dividir o fardo de existir. Faça menos a barba e mais o seu papel de homem. 


Íris Prieto.

Madrugada

São 3:04 e eu na janela,
por ela e nela,
vejo tudo e vejo o nada,
vejo caminhos cruzados,
vejo buracos na estrada.
Sinto frio, incômodos vazios.
Vejo pouca luz, sinto ventos sombrios.
Percebo pessoas com pressa e sem desvios.
Observo e rio, dos pássaros nos fios.
Poças d'aguas, pedras, novos desafios.
Me sinto só no silêncio em que me deparo,
momento raro de reflexão,
onde em todos os meu sentidos eu reparo,
incerto do sim e do não.
Nesse instante,
quantas vidas não estão em outras janelas,
com vistas para mais ruelas,
fazendo poesias mais belas,
sobre aquelas,
que incertas sobre essas janelas,
questionam-se sobre o sim e o não?
Quantas vidas estão ou não,
fazendo da sua breve ou longa solidão,
mais profundos momentos de paz, luz e reflexão?
Seria minha tamanha prepotência,
acreditar com inocência, sobre a ciência,
que não explica e nem justifica a vivência,
desse interpreto coração?
Posso eu errar tanto como em
momentos passados,
falando e escrevendo sobre
versos, linhas, e textos rimados
como aqueles que pelo histórico foram marcados,
por poetas ligados à uma eterna perfeição?
Posso eu querer ser perfeito,
mesmo que apesar de tanto jeito,
tenha errado e assim pelo que já havia feito,
tivesse caido em qualquer conceito
e vagasse pelas noites nas janelas da solidão?
Eu paro, respiro e pergunto,
porque apesar de tanto assunto,
minha cabeça não funciona junto,
do resto de todo o conjunto,
que orquestra essa minha imensidão?
A resposta é não ter resposta,
e deixar para lá qualquer tipo de aposta,
que venha me dizer que atrás daquela encosta,
há quem tenha a solução para o meu questionamento
sobre um louco, uma janela e uma escuridão...

Gabriel Barrucho.

Gabriel Barrucho é amigo Dellas e escreve com co-participação.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Ei, sua vez de jogar!

Redes sociais são um grande exemplo de que tudo pode mudar num piscar de olhos.
Uma postagem, uma “curtida”, um comentário e de repente um flerte. E aí começa uma nova história...
Aquele carinha das antigas te convida sair, vocês saem pra tomar um chopp, colocar os assuntos em dia e retomar uma “amizade” que havia se perdido com o tempo. Aí vem a etapa de relembrar os velhos tempos, depois vem a etapa onde um se atualiza sobre a vida que o outro anda levando. Entre um copo e outro, sorrisos, entre outro copo e mais outro, olhares...
E a noite segue assim, num contexto pré-determinado onde ambos sabem como termina.
Conta paga e hora do grande momento: o beijo. E fim da história. Certo?! Não, errado.
Nunca gostei de nada que é padrão, de seguir o manual, do que pré-determinado. Não sou convencional e pra variar, pulo etapas ou invento novas fases nesse maldito jogo de sedução.
Nem sempre dou as cartas, mas gosto sempre de ter um trunfo na manga. Depois de levar alguns tapas da vida, aprendi a viver na batida. Quando sinto que a sorte está mudando de lado, fim de jogo. Cartas na mesa, sem contagem de pontos, apenas me levanto e vou embora.
A questão não é ganhar o jogo. A questão é não perder mais noites de sono ou a minha paz de espirito. E se for pra perder, que seja por alguém que me deixe leve. Que me invada a alma e aqueça meu corpo.
E aí, fim a história?! Ainda não. Sua vez de jogar...

Felícia Bacci.

domingo, 18 de maio de 2014

A saga

E de todos os amores que eu tive, você foi o único que não foi. E que não teve uma brecha de ser. Não podia ser livre, não podia ser.
Tem que deixar de ser pesado e passa a ser leve é a forma que eu encaro a realidade, os fatos, as bases. Eu não podia me permitir mais uma vez viver a utopia. A grande mentira do “vai que” para o choque de realidade “no fundo você sabia”. A verdade é que nem tudo o que você se desfaz é porque você não quer. Comigo funciona assim. Eu não tenho a característica eminente de correr atrás do que eu quero, simplesmente porque eu quero, mas tenho a coragem de saber o que é um não, e o não quase nunca vem acompanhado de tranquilidade, na maioria das vezes, de desassossego, de muitos “ses” e banhado em inexatidões. Nunca fui segura e confiante no meu taco, não vejo vantagem, mas acredito no amor e acredito mais ainda que tenha certos meios que são conclusivamente falhos para o alcançar que,  por mais que o coração desperte e a boca seque, por mais que o sexo seja bom e que o sonho permaneça... é não. O rumo da vida são escolhas, escolhas que geram consequências, consequências que geram emoções e reações. Se forem más escolhas, serão boas as consequências? Por que seria uma má escolha nos escolher? Por que tão certamente as consequências seriam tão dolorosas? Penélope espera Ulisses por 20 anos...
Penélope e Ulisses na mesma imobilidade de sempre, mesma impotência, mesmo sufoco.

Penélope Pren.

Hoje eu quero sair só.

O tempo não espera que você vá embora e me deixe aqui sorrindo ou partindo, ao meio ou de vez.
Eu nunca sei se é o gosto mesmo ou se está azedo.
Se eu já envelheci ou se você volta.
Meus cabelos ficam brancos; no meu rosto tem cansaço, minhas pernas não suportam mais o balacobaco.
Então quem vai sou eu.
Chorar um pouco mais, do tanto que já chorei. Que diferença faz?
Sumo da tua vida para ter uma minha.
Vida.
Mas eu não vou sumir brincado, não vou aceitar mais nada seu, nem oi, nem tapas, nem desculpas, nem nada.
Nem os “eu te amo” que eu tanto amo.
Eu nunca existi e nem estive aqui.
Nunca existimos e vou fingir que nada desse embolo me mudou.
Partir.
Certo.
E agora eu vou olhar para trás, para ver o saco de merda que eu vou deixando ao andar, que eu vou me desfazendo sem pensar.
Limpa a bagunça que você faz, guarde as coisas no lugar.
Não valoriza as coisas que eu te dou? Menino mimado!
Não precisa vir comigo, não quero, você está de castigo!
Olha essa bagunça!
A lua tá linda, e eu vou, se eu não voltar, tem miojo no armário.
Ces’t La vie, my baby.

(Salto alto, vestido preto, batom vermelho).

Penélope Pren.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Um pouco de mim


Aí me pego pensando no que fomos, no que seremos, talvez até no que nunca fomos.
Eu sou eu e sempre fui, você pra mim, um pedacinho de mim. Um amigo perdido no meu mar de incertezas de um romance sem fim. Já quis tanto você só pra mim, já idealizei um cara desses que se encontra perdido e se acha como em num filme de Hollywood. Nos tornamos grande e fiéis amigos, o meio termo de uma amizade com o colorido em preto e branco que nunca assumimos nos colorir de verdade. Um colo fugitivo que sempre me deu o prazer quando, sem querer, me roubava um sorriso. Sem me entregar de fato, me entreguei várias vezes a você, quando abri minha vida, meus pensamentos e meus abraços. Mesmo com tanta coisa diferente e tantas pedras em nossos caminhos, te prendi a mim e com suas bebedeiras escutei as palavras tão sinceras, desde a palavra áspera até a mais macia delas. De alguma forma você me completa, de alguma forma te vejo em mim.

Íris Prieto.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Não somos qualquer um


Eu não sou mais a princesinha do seu conto de fadas. Eu mudei. Aliás, mudamos. Você também já não e o príncipe encantado de 15 anos atrás.
Eu sei lá porque, mas a vida resolveu cruzar nossos caminhos de novo. Deu merda. Óbvio. E como não daria, se é tão difícil separar o que éramos do que somos?!
Ilusão minha ter achado que tudo continuaria igual depois. E ilusão sua, achar que tudo mudaria. Algo mudou, algo continuou igual, e tudo se misturou.
O seu ciúme continua sendo singular. A minha impulsividade continua única. O seu amor já não existe, o meu se transformou em algo que eu já não sei mais nomear. Eu te quero, sem querer você pra mim. Você me quer pra você, sem me querer. O mundo gira forte e quanto mais ele gira, mais tudo se confunde e nada volta pro lugar.
Eu não sou qualquer uma, mas sou como qualquer outra. E você não enxerga a sutil diferença. Você não e qualquer um, mas é como todos, que tiveram grande parte de mim e não souberam lidar com isso. Você hoje e incapaz de lidar com tão pouco, e eu tenho pra mim que jamais saberia lidar comigo por inteira. Eu sempre soube lidar com você. E saberia lidar com pouco ou muito. Mas ando lidando com o nada.
Eu sou incapaz de me entregar e você não quer me receber. Você me deseja nem que seja em minutos descompassados, em situações inusitadas ou em casos do acaso. E eu te desejo sempre, porque você desperta em mim o meu melhor.

Felícia Bacci.

domingo, 20 de abril de 2014

Sem peso, estou feliz.

Eu não sabia que seria tão bom me libertar.
Enquanto eu ficava presa na história que não existia mais, a vida continuou correndo. Enquanto eu me amargurava na solidão controlada em que eu insistia em viver. A vida continuava correndo.
Com a crença que estava respeitando a mim mesma impondo limites eu descobri um universo muito mais amplo e limites muito mais vulneráveis. E fui percebendo que ficando pra trás eu não me respeitava, e nem ao que fomos um tempo, nós dois.
Não me interessava por ninguém, porque você era meu ponto de referência. Ninguém chegava aos seus pés. E hoje, se me interesso ou não, não me importa, eu estou completamente liberta do fardo que é ter você em memória em qualquer rua que eu vou. Me resta de você hoje, a lembrança do que já foi. E as histórias que começam com “aquela época....”.
Você foi um conto de era uma vez sem final feliz.
Você foi aquele livro que parece ter continuação, que o autor ainda não escreveu... e que nem vai escrever.
E por isso tá na hora de mudar de título, e dessa vez eu nem te coloquei na estante, guardei dentro da gaveta de coleções de objetos, que de vez em quando a gente abre e sorri. Mas assim que guarda, esquece até que a gaveta existe.
Nossa história não foi trágica. Não nossa história não terminou mal. Nossa história faltou para mim por muito tempo.
Mas agora, eu me libertei disso tudo... e sem peso nenhum, eu estou feliz.

Penélope Pren.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Sorte ou revés da princesa.

Eu quero a sorte da paixão exata. A sorte do que não vai me fazer mal, que me faça chorar e se arrependa e me encha de beijos, que me queira como eu bem maior. Eu quero a sorte de só me interessar pelo certo, a sorte dele só se interessar por mim. Eu quero a sorte grande de sentir o amor pulsando nas veias, a sorte de nunca mais ser infeliz por falta de amor ou por amor errado. Eu quero a sorte de achar minha metade. Eu quero me doar.
E o que que é que tem se eu danço até o chão, ou se eu bebo todos os fins de semana? Se eu posto frase do Caio Fernando de Abreu e se eu uso minissaia? O que que tem se minha maquiagem é forte e se eu uso batom vermelho, se eu pinto a unha de roxo e ou se eu não tenho sonho de casar na igreja? O que que tem? Se eu não sei cozinhar direito, ou não gosto das tarefas de casa? Isso significa que eu não queira um amor de verdade? Pra isso então, eu deveria me transformar numa beatinha, sem sal? Sem gosto? Numa futura corna sofrida?
Eu quero que vocês, seu machistas de merda, engulam seus próprios órgãos. E nenhum de vocês eu quero. Eu tô é cansada dessa onda de princesa (in)feliz. Eu to é cansada dessa repugnância ideológica. Seus grandes bundões. Suas grandes bundonas.
Ser feliz é questão de ser muito mais do que essas merdinhas que fazem de você o oposto do que realmente é. Tá além, ter a sorte de um amor que não fique te tolindo, ô besta, de um amor que te enalteça e que você se admire, um amor que seja muito, mas muito forte e que juntos, vocês cresçam e enlouqueçam e só isso tenha sentido. Isso sim, isso faz sentido.
Como é? 48 beijinhos no ombro!

Penélope Pren.

O gosto indômito pelo cliché.

Pessoas que se revelam odiando mentiras (será que devemos avisá-las, que nós também não gostamos?), anônimos sofredores de amor ou até mesmo da falta que a dor faz (será que devemos avisar que o grande índice mundial também é de solteiros?). Inocentes meninas gostando mais de rosa, e pequenos rapazes preferindo azul. Tudo cliché.
Arrogantes mulheres que se sentem invejadas por suas bundas, peitos, olhos, “jeito de ser”, homens. Pelo seu grande ciclo de “amor demais”. E os homens por seus músculos, hormônios e carros. Tudo cliché.
E com isso tudo, passa o tempo lá fora e a cada 5 minutinhos alguém repete um “Eu te amo” vazio, cliché, alguém sente uma inveja controlada, cliché, alguém diz uma mentira branca, cliché,  alguém comete uma burrice infantil, cliché. E acredite, que você também é esse alguém, ser humano, seu cliché!
Chega de tanta baboseira, chega desse seu blablablá.
Que vontade de amassar sua cabeça, ser não pensante.

Penélope Pren.

Tapa molhado.

E quem leva um tapa e vira a cara para levar outro, devia levar uma surra? Mesmo? Mesmo.
Antes sendo seu, seu homem, não deu jeito, agora será menos nobre ainda, não sendo nada, nada seu, vai arder, agora var ser ácido. Por isso, não faça.
Não diga que vai, ei! Volta aqui! Não vai, não...
O problema é quando as marcas começarem a (re)aparecer, de novo, depois de superado. Você está mais uma vez doando seu tempo, como se a juventude fosse eterna. Estás doando seu tempo para que o nada continue acontecendo.
E pode doer mais, mas a verdade é que overdose de amor mata, e mata quem quer dar esse amor. Ele te sufoca. Vai te sufocar.
Não se vicie no que te destrói... ou se destrua. Mas não esqueça, que dessa vez toda a amargura vem desacompanhada do “eu te amo” que suavizava qualquer mal estar.
É sem analgésico.
Não atende, não...
Penélope Pren.

Só batendo, tum tum.. tum tum...


Um dia ele desaparecia, como num sonho, era o momento de acordar. Ela empurra o cobertor e levanta, como se nada tivesse acontecido. Como se tudo fosse "só" aquilo mesmo. Escova os dentes, liga o chuveiro, toma um banho. Pensa um pouco. Se arruma rápido, vai embora. De novo... ela chega, fuma um cigarro porque está ansiosa. Vê e revê o celular.
Sobe. Faz o que tem que fazer. Pensa no que tem para resolver. Tem uma boa notícia. Revê o celular. Entra no facebook, como se fosse razão para poder olhar diretamente pro celular, sem a desculpa de estar esperando alguma coisa.
A tiro certeiro, é que ela não deve ser mais do que já foi. Ela sabe, que tem que ficar quietinha, na sua, não provocar, não ser a pressão. Ela sabe do não. Então, ela fica do jeito conformado de sempre, esperando a vez de entrar na fila, de novo, ou de ser por fim, escolhida.
Ela levanta, vai pegar seus papéis, seguir sua rotina... Ela tem que dar uma pirada, uma pirada!
Antes que a saudade a enfraqueça, de novo.

Penélope Pren.

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sempre mais uma vez!

Às vezes eu queria que o Google me ajudasse a achar a resposta à busca: “Como conquistar você”, e tentando no site de busca , me vieram como resposta mil simpatias e patuás online, que eu quase chego a acreditar só para sentir sua pele na minha, como noites passadas, mais uma vez.
E sempre pensando em mais uma vez, eu espero você aparecer para que eu possa então ‘mais uma vez’ me reapaixonar, como todas as vezes, e para ter que ir embora de novo, e essa eternidade de vezes se repetindo com frequência.
Talvez por algum karma doido, esse amor que eu te devoto, seja tão inesgotável, mesmo sendo tão azedo.
A gente sai tão bem nas fotos...
E agora ‘a gente’ só existe em noites aleatórias, ‘a gente’ vive de um sentimento seco e sem nome, e de alguma forma misteriosa do amor, incapaz de se desfazer e sempre também, incapaz de estar pronto.
E em todas as vezes, tantas vezes, eu engulo meu “eu te amo” no final, sabendo que você também engole e disfarça o olhar.
Eu só quero que quando for a última vez eu consiga ir embora e deixar meu amor com você.
E aí Google, como se diz eu te amo?

Penélope Pren.

O jogo começou...

Quero você como se você fosse apenas um objeto sexual.
Não adianta deixar o tempo passar, ele não vai levar embora essa vontade, nem saciá-la. Abra sua mente para um mundo só nosso. Chegamos longe demais para desistir agora!
Quero fazer com que você não queira nada, nem ninguém, além de mim. Quero você bem perto. Dentro. Você vai estar tão longe de você mesmo, que vai ter medo de ir embora.
Vou sugar o seu desejo e centralizá-lo todo em mim.
Sabemos que não existe amor. É só sexo! Puro, simples, gostoso. 
Apenas uma cama coberta de meias verdades e nós dois deitados sobre ela.
Não há nada além do que eu não possa conquistar. Eu já me tornei seu objeto de desejo.
Então vamos desempenhar nossa função. Venha e me possua. Farei com que você não queira que o dia amanheça.
Venha, porque esta noite eu vou acabar com você. Sua jornada agora é seguir os meus passos. Teu corpo exala a exatidão do teu anseio e posso ver as curvas do meu corpo desenhadas nele.
O jogo começou, aperte start!

Felícia Bacci.