segunda-feira, 24 de março de 2014

Sorte ou revés da princesa.

Eu quero a sorte da paixão exata. A sorte do que não vai me fazer mal, que me faça chorar e se arrependa e me encha de beijos, que me queira como eu bem maior. Eu quero a sorte de só me interessar pelo certo, a sorte dele só se interessar por mim. Eu quero a sorte grande de sentir o amor pulsando nas veias, a sorte de nunca mais ser infeliz por falta de amor ou por amor errado. Eu quero a sorte de achar minha metade. Eu quero me doar.
E o que que é que tem se eu danço até o chão, ou se eu bebo todos os fins de semana? Se eu posto frase do Caio Fernando de Abreu e se eu uso minissaia? O que que tem se minha maquiagem é forte e se eu uso batom vermelho, se eu pinto a unha de roxo e ou se eu não tenho sonho de casar na igreja? O que que tem? Se eu não sei cozinhar direito, ou não gosto das tarefas de casa? Isso significa que eu não queira um amor de verdade? Pra isso então, eu deveria me transformar numa beatinha, sem sal? Sem gosto? Numa futura corna sofrida?
Eu quero que vocês, seu machistas de merda, engulam seus próprios órgãos. E nenhum de vocês eu quero. Eu tô é cansada dessa onda de princesa (in)feliz. Eu to é cansada dessa repugnância ideológica. Seus grandes bundões. Suas grandes bundonas.
Ser feliz é questão de ser muito mais do que essas merdinhas que fazem de você o oposto do que realmente é. Tá além, ter a sorte de um amor que não fique te tolindo, ô besta, de um amor que te enalteça e que você se admire, um amor que seja muito, mas muito forte e que juntos, vocês cresçam e enlouqueçam e só isso tenha sentido. Isso sim, isso faz sentido.
Como é? 48 beijinhos no ombro!

Penélope Pren.

O gosto indômito pelo cliché.

Pessoas que se revelam odiando mentiras (será que devemos avisá-las, que nós também não gostamos?), anônimos sofredores de amor ou até mesmo da falta que a dor faz (será que devemos avisar que o grande índice mundial também é de solteiros?). Inocentes meninas gostando mais de rosa, e pequenos rapazes preferindo azul. Tudo cliché.
Arrogantes mulheres que se sentem invejadas por suas bundas, peitos, olhos, “jeito de ser”, homens. Pelo seu grande ciclo de “amor demais”. E os homens por seus músculos, hormônios e carros. Tudo cliché.
E com isso tudo, passa o tempo lá fora e a cada 5 minutinhos alguém repete um “Eu te amo” vazio, cliché, alguém sente uma inveja controlada, cliché, alguém diz uma mentira branca, cliché,  alguém comete uma burrice infantil, cliché. E acredite, que você também é esse alguém, ser humano, seu cliché!
Chega de tanta baboseira, chega desse seu blablablá.
Que vontade de amassar sua cabeça, ser não pensante.

Penélope Pren.

Tapa molhado.

E quem leva um tapa e vira a cara para levar outro, devia levar uma surra? Mesmo? Mesmo.
Antes sendo seu, seu homem, não deu jeito, agora será menos nobre ainda, não sendo nada, nada seu, vai arder, agora var ser ácido. Por isso, não faça.
Não diga que vai, ei! Volta aqui! Não vai, não...
O problema é quando as marcas começarem a (re)aparecer, de novo, depois de superado. Você está mais uma vez doando seu tempo, como se a juventude fosse eterna. Estás doando seu tempo para que o nada continue acontecendo.
E pode doer mais, mas a verdade é que overdose de amor mata, e mata quem quer dar esse amor. Ele te sufoca. Vai te sufocar.
Não se vicie no que te destrói... ou se destrua. Mas não esqueça, que dessa vez toda a amargura vem desacompanhada do “eu te amo” que suavizava qualquer mal estar.
É sem analgésico.
Não atende, não...
Penélope Pren.

Só batendo, tum tum.. tum tum...


Um dia ele desaparecia, como num sonho, era o momento de acordar. Ela empurra o cobertor e levanta, como se nada tivesse acontecido. Como se tudo fosse "só" aquilo mesmo. Escova os dentes, liga o chuveiro, toma um banho. Pensa um pouco. Se arruma rápido, vai embora. De novo... ela chega, fuma um cigarro porque está ansiosa. Vê e revê o celular.
Sobe. Faz o que tem que fazer. Pensa no que tem para resolver. Tem uma boa notícia. Revê o celular. Entra no facebook, como se fosse razão para poder olhar diretamente pro celular, sem a desculpa de estar esperando alguma coisa.
A tiro certeiro, é que ela não deve ser mais do que já foi. Ela sabe, que tem que ficar quietinha, na sua, não provocar, não ser a pressão. Ela sabe do não. Então, ela fica do jeito conformado de sempre, esperando a vez de entrar na fila, de novo, ou de ser por fim, escolhida.
Ela levanta, vai pegar seus papéis, seguir sua rotina... Ela tem que dar uma pirada, uma pirada!
Antes que a saudade a enfraqueça, de novo.

Penélope Pren.