domingo, 20 de abril de 2014

Sem peso, estou feliz.

Eu não sabia que seria tão bom me libertar.
Enquanto eu ficava presa na história que não existia mais, a vida continuou correndo. Enquanto eu me amargurava na solidão controlada em que eu insistia em viver. A vida continuava correndo.
Com a crença que estava respeitando a mim mesma impondo limites eu descobri um universo muito mais amplo e limites muito mais vulneráveis. E fui percebendo que ficando pra trás eu não me respeitava, e nem ao que fomos um tempo, nós dois.
Não me interessava por ninguém, porque você era meu ponto de referência. Ninguém chegava aos seus pés. E hoje, se me interesso ou não, não me importa, eu estou completamente liberta do fardo que é ter você em memória em qualquer rua que eu vou. Me resta de você hoje, a lembrança do que já foi. E as histórias que começam com “aquela época....”.
Você foi um conto de era uma vez sem final feliz.
Você foi aquele livro que parece ter continuação, que o autor ainda não escreveu... e que nem vai escrever.
E por isso tá na hora de mudar de título, e dessa vez eu nem te coloquei na estante, guardei dentro da gaveta de coleções de objetos, que de vez em quando a gente abre e sorri. Mas assim que guarda, esquece até que a gaveta existe.
Nossa história não foi trágica. Não nossa história não terminou mal. Nossa história faltou para mim por muito tempo.
Mas agora, eu me libertei disso tudo... e sem peso nenhum, eu estou feliz.

Penélope Pren.