domingo, 29 de junho de 2014

Não quero ser metade!

Não sou meio sua. Não quero ser metade. Não lido bem com elas.
E a verdade é que agora eu já não quero ser mais nada.
Eu cansei do benefício ou malefício da dúvida.
Eu cansei dos "será", dos "talvez" e dos "se" que sempre permearam a nossa história.
Se é que existe uma história nossa. Ou existia.
Eu to mudando meu caminho, a essência das minhas escolhas que sempre me fizeram pegar a trilha até você.
O destino sempre conspirou a nosso favor, mas a gente fez questão de remar contra a maré.
E eu que nunca gostei de nada que não fosse inteiro, tentei ser incompleta com você e acabei vazia.
Então resolvi não querer nem pouco, nem muito.
Eu resolvi não querer você nem perto, nem longe.
Resolvi não te querer.
Daqui pra frente eu só levo o que eu puder carregar na bolsa, e, definitivamente, você não cabe nela.
Nem no coração.

Felícia Bacci.

Sede insana de você.

Depois de algum tempo, te tirei do meu melhor sentimento, a socos e ponta pés. Com muito sacrifício você saiu, me custando alguns litros de água saindo dos olhos. Saiu de mim, fechou a porta e por um lapso de insanidade, estava eu lá com um desejo incoerente de querer o seu corpo. 
Estava lá querendo escutar cada ranger da cama e o abuso que poderia ser feito naquele instante, estava gostando daqueles tapas pesados e o seu cheiro passando para o meu corpo. E a cada vai e vem, você vinha com mais força, me deixando sem ar com o prazer que meu corpo sentia. Sede matada e quando se abre os olhos novamente: porque eu fiz isso?! Fiz, por que se não fosse a força do seu corpo me empurrando contra o seu, não teria tanto prazer, porque no meu corpo você pode até entrar, mas em mim, você não só saiu e trancou as portas, como também agora a chave só pertence a mim.

Íris Prieto.

Quantas vezes?! Quantas?!

Quantas vezes eu vou precisar dizer sim pra mim só pra aprender a dizer não pra você?!
Quantas vezes eu vou precisar me desligar de mim só pra conseguir não pensar em você?!
Quantas vezes eu vou precisar chorar só pra não te entregar o meu sorriso?!
Quantas vezes eu vou precisar engolir em seco só pra não umedecer minha boca com a sua saliva?!
Quantas vezes eu vou precisar virar as noites em claro só pra não te permitir aparecer nos meus sonhos?!
Quantas vezes eu vou precisar me forçar a sentir raiva só pra não sentir saudade?!
Quantas vezes eu vou precisar atravessar a rua só pra não deixar nossos caminhos se cruzarem?!
Quantas vezes?! Quantas?!
Estou livre, mas sou refém do que você me fez sentir. Sou prisioneira do calor que me invade toda vez que você chega perto de mim. Sou escrava dos desejos que me tomam quando você diz que me quer.
Sua imagem vai e vem e eu sempre fico aqui, esperando sua próxima aparição.
E quantas vezes mais eu ainda vou esperar?! Quantas?!

Felícia Bacci.