sexta-feira, 18 de julho de 2014

Acasos desaforados

Ele é o tipo de homem de história antiga, de água com açúcar e mela cueca. 
Não é ninguém especial e de forma alguma entra no meu ciclo como meu amigo. 
Ele às vezes está disponível outras vezes quem está sou eu, e quando esse tempo é igual, a gente se esbarra.
E foram alguns esbarrões que a gente tomou um do outro, e ainda assim tão poucas foram as vezes. Eu já o usei. E ele? 
Provavelmente deve ter me usado algumas boas vezes nessas tão poucas e tantas vezes que a gente deu esse encontrão.
Só que nesses últimos encontros de nós dois, que sempre sendo um só pareciam três, não foi só a adrenalina e o tesão que tomaram conta dos nossos poros, pelos e sensores corporais. Houve aquele momento mágico  e certeiro de caça e caçador. 
E ali ele assumiu o domínio sobre o que poderia acontecer dali em diante.
E o máximo que eu pude fazer foi aceitar aquela submissão subjetiva.
Não estava mais nas minhas mãos, e com isso deixar o orgulho arder de ter que ficar na mão de quem sempre esteve facilmente sobre o simples espontâneo.
E tendo sido desta forma, ele foi reinar em outra freguesia, como corriqueiro, sendo desta vez um tanto repugnante ao meu íntimo, mesmo sendo eloquentemente involuntário da minha parte, ter travado uma batalha imaginária com a rival, que nesse momento cantava vitória pelo ser, que ora pois, eu nem amei. Nunca amei.
O fato é esse, é que eu nem amei. E eu pagava pra ver que ainda hoje, sem nunca ter amá-lo, sem nunca o ter querido tanto assim, e simplesmente pelo jogo delicioso que ele me provocava, e só ele mesmo, eu queria ter vencido e ele sempre soube afinal, e por saber se deixar acha tão dominante que me choca ainda hoje sua certeza sobre mim.
E eu ainda não sei responder quantos tapas eu daria na cara dele, até que ele arrancasse minha blusa de novo.
E eu? Eu realmente não sei quantos tapas seriam...

Penélope Pren. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Até o sol raiar!

"Ih, to sem identidade!", "Vai em casa e pega, te encontramos no caminho.". 
Vai. Pega. Espera.
"Cade vocês?!", "Nos perdemos, que falta a Raquel faz!". 
Chega.
"Até que enfim!".
Partiu...
”Onde estão as outras?". 
Encontra.
"E agora, o que faremos?", "SURUBUBA!", "Muito caro! Como faz?", "Vou dar meu jeito!".
Não deu. Volta e busca as outras.
"Vamos todas!".
Vai. Fica na fila. Espera.
"To com fome!", "Porra, Patrícia!", "Valeska, vamos comer?", "Vamos!".
Vai. Come. Volta. 
"Cade elas?!", "Conseguiram. Já entraram!". 
Fica na fila de novo. Espera. Entra também. Todas juntas. Aêêê! Pega a bebida. Sobe. Dança. Beija. 
"Po, me machucou!"
Desce. Pega bebida. Dança. 
"Ah, é viado! Ih, não é não!".
Foge. Sobe. Faz amigos. Dança. Desce.
"Oi, não ta me reconhecendo, não?!". 
Beija. Pega bebida. Sobe. Dança.
"Ah, nem quero flertar. Porra, já to flertando!", "Eu vou lá!", "Se você for, eu vou ficar bolada." 
Beija. Desce. Pega bebida. Dança. Sobe. Beija. 
"É potuguês e é maluco!".
Foge. Dança. Seduz. Dança. Seduz. Beija. Desce.
"Taquipariuuu, gringalhada chata!".
Sobe. Dança.
"Ih, não é argentino não!".
Dança.
"Cade a Amanda, gente?!", 
"Ih, foi embora!", "Ah não, ta ali!".
Faz amigos.
"Tá tarde, vambora!". "Cade a Aline e a Thaísa?! Chama lá!".
Paga a conta. Sai. 
"Corre!".
Pega o ônibus.
"To com fome!", "Vamos tomar café na padaria?". 
Vai. Come. Vai pra casa. Hora de dormir.


História Dellas.