segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Meus sinceros parabéns!

Aí, você aparece do nada. 
É como um soco no estômago, mais um texto melancólico. 
Aêêê, parabéns seu inconsequente!
Inconsequência essa que você desconhece porque não sabe de nada que se passa aqui e nunca saberá. 
Eu me lembro de tudo e mais ainda do controle ilusório dos meus sentimentos. 
Parabéns! 
Meus parabéns por nem ser seu aniversário e eu te dar de presente a soberania em tudo o que eu sinto, penso, conjecturo e quero.
Me dei de presente, de novo.
Mas nem cheguei perto de você.
Só apertei a sua mão.
Só olhei no seu olhar.
E eu me frustro, e corro atrás de qualquer possibilidade pobre, podre, pequena. E me frustro mais ainda.
Eu me sinto rejeitada por pedaços da minha história que (assim como você que também deveria ser) são irrelevantes.
Mas de alguma forma mágica, e inquietante, não são. E você também não é.
E é dentro dessa loucura tão minha e tão envolventemente singular que só me permito dizer parabéns por todo espaço aqui dentro que é seu.


Yasmin Bardini.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sexamor!

É um orgasmo inexplicável a sensação do corpo quente colado e suado com o seu, a calcinha no chão, o lençol bagunçado.
O cabelo espalhado na cama e a canseira do depois. É inenarrável o sexo com amor.
A mexida vagarosa que segue o mix de cheiros e pelos misturados, entranhados. A delícia da pelve latejando e o abraço seguido de um olhar escandaloso de silêncio, certeiro. Amor.
Aquele sexo com tantos gestos e eu te amos soltos, misturados com a sujeira explosiva da paixão gemida.
É o melhor lugar do mundo, aquele que não vai embora e que te deixa presa pela respiração ofegante, o riso frouxo e aquela plenitude leve de almas sexuadas que se completam. Sorrindo, deixados na cama eufórica, rodeados de carinho unido e seduzido de êxtase encantado. Só nesse momento de combinação de fragrâncias e coração que se descobre o que é a essência de sexo, a junção envolvida.
Se entregar só é possível quando o amor faz os dois corpos pulsarem, em uníssono, e tão atemporal que só ali a vida faz sentido, transbordar de amor.

Penélope Pren.

Seus olhares...

Você ainda anda cruzando o seu olhar com o meu.
Você pode não se lembrar de mim, mas seus olhos reconhecem as minhas curvas quando passeiam pelo meu corpo toda vez que eu passo por você.
E eu sinto cada olhada como uma mordida. Como se você cravasse seus dentes na minha pele, dilacerando a minha carne, deixando seu veneno se misturar no sangue que pulsa em minhas veias, fazendo acelerar meus batimentos.
E eu fico aqui em carne viva, doendo, porque, apesar de intensos, são apenas olhares.
E eu, masoquista, fico aqui, desejando o toque, querendo o cheiro, implorando um beijo que nunca acontece. Eu fico aqui imaginando o que poderia, mas não vai, acontecer. Eu fico aqui sonhando com o depois. Aquele depois suado, mordaz, fulgaz. Aquele depois de um antes mal intencionado, secundário em intencões. Aquele depois cujo o durante fica só nas entrelinhas. E o antes são apenas olhares. Seus olhares.

Felícia Bacci.

Sobre o amor...

Certas coisas nunca mudam... Felicidade de sexta, mesa de bar, sono da tarde e relacionamentos! Não passa uma troca de prosa sem que entre em voga o tal assunto preferido (e não é só das mulheres, ok?), e a pergunta é: Por que a gente só sabe falar de amor? Por que só o amor, a falta dele ou a vontade  de sentir, inspira?
Algumas pessoas dizem que é isso que ainda falta para se sentirem completas. A tal metade da laranja. Outras já tentam convencer que não precisam de alguém para serem felizes. Tem gente também que insiste em só ser feliz quando amando, pagando o preço alto da solidão sofrida. Outros só conseguem enxergar o amor que deixaram para trás, sem viver o que está por vir. Ainda tem os que apostam que perderam seus grandes amores e que a vida nunca mais terá aquela cor vibrante de outrora. Tem uns que só falam de amor porque ainda não sabem o que é. E alguns não sabem amar.
Felizes mesmo, aqueles que falam de amor, amando. É que o amor é a gasolina do bom humor. Iludidos aqueles que acreditam buscar o complemento da felicidade no outro... na verdade, buscamos nós mesmos dentro de algum sentimento de fora. Ah! O amor... Para que tem, preze. Para quem não tenha, venha! O amor...

 Penélope Pren.

Meu primeiro encontro do Tinder.

É sempre uma expectativa imensa encontrar alguém depois de uns papos virtuais. Tá certo que falar por mensagem é bem mais fácil, mas não cria química, pele, sabe? Parecia que a gente se dava muito bem, sem nunca termos nos visto. E é aí que surge o “Vamos tomar um chopp?”.
Eu o escolhi lá no Tinder! E olha só, combinou... E então a gente decidiu se encontrar e aí, vem uma sensação muito louca... Sei lá... Uma mistura de gastrite, pânico e uma ansiedade psicótica! (Eu sabia que deveria ter tomado um Rivotril antes!) E começa um “Era uma vez no Tinder” modesto.
Em uma quinta-feira fria a gente marcou o tal chopp. Eu não segui nenhum dos protocolos que “toda mulher deve fazer” no primeiro encontro. Saí do trabalho e fui com uma amiga para um bar esperar o rapaz bonitinho da foto, aparecer. Levei uma amiga messsssmo! Você nunca sabe o que pode encontrar, e pior que isso, o que ele vai achar de você. Na verdade, um primeiro encontro parece algo muito adolescente de filme americano... Quando no fim da noite o casal, meio sem jeito ainda, fica se pegando no meio da rua mesmo...
Já disse que ele é mineiro? Então, ele tem aquele sotaque gostoso de Minas, que dá vontade de apertar. Ele foi uma mistura muito boa do que a gente espera que seja, não é previsível, fala bastante, discute bem, me chamou de “querida” no meio de um bate boca, tem sorrisinho de meia boca, pisca o olho, faz carinho, beija bem... 
Então... A minha amiga foi embora e eu não lembro bem em qual momento, não. O que eu lembro é que o encaixe da boca deu tão certo que não dava vontade de parar nunca mais, ainda assim esse “never more” acabou antes do que a língua gostaria, e, depois dos amassos na rua, fomos embora. Relutantemente, fomos embora...
A melhor forma de saber se o primeiro encontro foi bom... É tendo o segundo. Resumindo, meu primeiro encontro tinderiano foi ótimo, e até já tive o segundo, menos modesto, menos meu e mais nosso.

Penélope Pren.

Quer um conselho?!

Dizem por aí que quem avisa amigo é.
Amigo, né?!  Sei não... Teu conceito de amizade anda passando bem longe do meu. Teu conceito de certo e errado se perde nas suas meias verdades que você julga, com tanta propriedade, serem inteiras. E te cegam a tal ponto, que você não consegue discernir quando é hora de falar e hora de calar. Quando é hora de se fazer presente e hora de se ausentar.
Você anda falando demais e anda fazendo de menos. Você anda matando a bola no peito e chutando pra fora. Um atrás do outro, você vai descendo os degraus e caindo no conceito de todos.
Em certos momentos, não dá pra ficar em cima do muro. Ou você escolhe um lado e desce, ou vai acabar caindo de lá por pressão, talvez até, tombando pro lado errado.
Mas e aí, quer um conselho?! Abre teu olho!

Felícia Bacci.