segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Passado

Veio aquele com sorriso canto de boca, uma aliança no dedo e um mistério cheio de músicas e gritos de socorro, mas o socorro sempre esteve em sua aliança. O outro veio cansado, precisava viver e eu tinha vida para nós dois, deixou de lado quem sempre esteve do lado dele em um piscar de olhos, depois de pegar toda a minha vida, foi embora, sem nem piscar. Eu quis viver, e vivi a minha vida, os meus gostos, o meu compasso. Em roda de amigos, copo cheio, abraços, risadas e meu coração acelerou, aquele que eu abraçava como amigo, conversava comigo sobre o dólar e eu só pensava em beijar a sua boca, mas o coração dele já estava em outra frequência e eu não era a dona daquele batimento. 
E do nada você sai do baú, me propondo sorrisos e loucuras. Me confunde com meus pensamentos tão certos. O seu cheiro, gosto e suas propostas me balançam. Eu não tinha medo de viver, mas é que como você, eu também tive passado e esses me machucaram bastante. Eu tenho sede do seu corpo e do cheiro, eu tenho vontade de repetir a dose, antes eu estava apenas imaginando agora eu relembro do seu corpo em cima do meu, da puxada de cabelo, da sua mão me percorrendo, mas eu não consigo. Eu não consigo me entregar, eu não consigo te aceitar. A verdade é que por traumas eu não consigo. Se ainda tem propostas de virar meu mundo de cabeça pra baixo, enrolar meu cabelo na sua mão e de me comprar, não desista, porque na madrugada é você que tem me tirado o sono.

Íris Pietro.

Um sábado com um gosto doce.

Parada naquele ritmo, os nossos sorrisos e vontades. 
Minha língua explorando cada curva do seu lábio, os olhos fechados me levaram pra longe ou até pra mais perto. Eu só queria você, eu me entreguei, cada vez que sua mão percorria meu corpo, minha calcinha ficava ainda mais molhada. E cada vez mais eu tinha certeza que era ali que eu deveria estar, no meio de gargalhadas e tesão, meu corpo gritava você, mas estava tão bom que não conseguia sair dali. Roupas no chão, sorriso, tesão, saliva. E te sentir é querer que você não saia de mim, não saia. Continue me pegando por trás e sussurrando meu nome ao pé do ouvido, me lambuza com seu cheiro, com seu gosto e seu suor. Me dê o que eu sempre tive vontade: você.

Íris Pietro.

Saudade


É impressionante como tem dias em que sinto uma saudade imensa de você. De você e da sua pele branca e sensível repleta daquelas micromanchinhas rosadas que até mesmo um leve toque da sua própria roupa pode causar. De você e do seu cabelo longo, ora loiro, ora castanho, mas sempre liso, volumoso e cheiroso como um jardim repleto de lírios. Também sinto saudade dos teus brincos enormes, que estavam sempre desenhando e realçando teu pescoço perfeito, no qual eu já me perdi tantas vezes enquanto o beijava, inebriado com teu perfume marcante e entorpecente, que até hoje me assombra em muitas de minhas manhãs solitárias. Sinto muita saudade desses beijos também, é claro. Sinto saudade dos nossos tangos e dos nossos boleros; da tua maquiagem tímida, mas extrovertida o suficiente pra realçar tua boca rósea e de contornos perfeitos, assim como a teus olhos vorazes e penetrantes. Sinto saudade da tua voz nasalada me dizendo que me amava em plena madrugada, da textura do teu corpo sob o meu e do nosso suor misturado enquanto gozávamos, um louco por tudo que havia no outro, inclusive as muitas imperfeições.
Sabe, tem dias em que sinto muita saudade de você. Muita. Mas essa saudade só não é maior do que aquela que me leva ao tempo onde ainda não conhecia tudo o que me faz sentir saudade de você. Sinto ainda mais saudade dessa saudade, pois a ela era possível sentir sem ter que sentir doer.

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

sábado, 10 de outubro de 2015

eu@você.com

Não conheço o timbre da sua voz, nem o cheiro da sua pele. Não sei o som da sua risada nem o gosto do seu beijo.
Não faço ideia dos seus trejeitos, seus olhares e suas manias. E mesmo assim, não paro de pensar em você.
Depois de todos os caracteres que apareceram na tela do meu computador, não paro de pensar se o seu beijo combina com o meu, se vou me encaixar no seu abraço ou se vai sobrar ou faltar espaço.
Não paro de pensar em como você vai me olhar quando eu começar a tagarelar sobre os meus problemas e anseios. Nem em como você vai reagir quando souber dos meus segredos, paranoias e idiossincrasias.
Não paro de pensar em como você vai ser estranho conhecer alguém que eu já quero tão bem. E que apesar de nunca ter estado comigo, se faz perto e presente todos os dias.
E se você simplesmente não gostar de mim? Ou, pior, e se você gostar mesmo de mim?
O medo do novo me invade e atiça as borboletas no meu estômago. A expectativa me renova e faz surgir em meu rosto aquele sorriso bobo de mulher apaixonada. A curiosidade me faz explorar todas as possibilidades possíveis e enviesadas que podem surgir desse encontro.
Foi tudo tão rápido, sedutor e tentador. Tão despretensioso e voraz. Um flerte acidental que se perdeu e nos achou.

Felicia Bacci.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Quando eu respirei sozinha.

E por incrível que pareça meu mundo caiu, por uns instantes não tinha o que pensar sobre aquilo que não aconteceu ou qualquer meta pra seguir. Não existiam em minha mente momentos felizes, ou pensar na parte positiva. Só via o caos. Foi o choque que perdurou... Como abala qualquer um, depois que uma paixão encolhe. 
Lembrando que em um tempo atrás lá estava eu, com ele, acreditando no instinto. 
O não das nossas vidas continua igual desde que era sim. 
Foi por querer demais que perdi de vez. Hoje, não vou dizer que não tento, mas depois de tantas vezes tentando, eu quebrei as paredes. É viver como a lua, mudando de forma e desaparecendo quando convém. Mas ela sempre estará lá. Assim como eu sempre estou, mesmo quando não enxergo o restante.
Hoje você faz parte da minha faxina anual, depois de tanto medo de continuar aqui. O futuro, afinal, não acontece em linhas. Certas coisas sobrevivem muito mais por não poderem ser. Menos um dia que você se faz ausente, por não fazer parte mais. Você terminou com o nós, sigo no eu, porque você não existe mais. 
Sustento meu bocejo. A gente era, no final das contas, muito parecidos, e aí eu me lembrei  porquê que chegou ao fim... Faltou o desafio. A gente? Ah! A gente só tinha a certeza. 
Você está livre, como sempre quis e como sempre foi, e eu estou feliz e não preciso me esconder. 
Um brinde ao destino! 

Penélope Pren.

Bem ou mal, me quer.

Sempre que você me pede: "- Vai, se abre comigo.". Eu me sinto desconfortável. Nunca fui muito boa na hora de falar sobre os meus sentimentos, mas sempre consegui enfileirá-los em frases e textos. Sou melhor escrevendo. Embora, assumo, às vezes até escrever seja complicado...
Falando em ser complicado, acho que desaprendi a me relacionar. Amar e ser amada. A intensidade acabou se tornando um dos meus maiores defeitos, já que muitas vezes eu fui intensa demais quando deveria ser leve e isso me custou muitas noites de sono, muito choro e um coração partido. É difícil deixar alguém fazer morada dele e não me sentir culpada por isso. Ele já foi despedaçado, tal como flor nessas brincadeiras de bem-me-quer-mal-me-quer, e permitir que ele fique vulnerável, me assusta.
Desde que ele foi maltratado eu evitei ao máximo qualquer romance que pudesse se concretizar. Sempre havia um começo, e quando deixava de ser começo e ameaçava ter meio, eu lhes dava um fim. É mais fácil quando a gente consegue ter esse controle sobre o que pode um dia vir a nos fazer mal. É mais fácil e mais triste. A superficialidade não nos acrescenta nada. E acaba nos tornando pessoas frias e infelizes.
Li uma vez que “leviandade deveria ser pecado” e eu completaria a frase afirmando que “deveria ser o maior deles”. Não levar pessoas e seus sentimentos a sério é algo tão nocivo tanto pra quem comete esse erro como para quem é acometido por ele.
O amor é essencial pra qualquer tipo de relacionamento. Intensidade em demasia faz mal e a falta dela também.
Ninguém é substituível, mas existem momentos em que algumas pessoas perdem a prioridade em nossas vidas. Algumas perdem ao ponto de se tornarem apenas uma parte do passado.
Foi preciso que eu passasse por um passado nebuloso pra aprender que nem todo mundo vai permanecer comigo até o fim, nem todo mundo merece ser tratado com prioridade, nem todo mundo merece sair pela porta dos fundos sem ser levado a sério, nem todo mundo me fará sofrer.
E por mais que eu já tenha entendido a teoria, eu confesso que ainda estou tentando achar um jeito de colocar o aprendizado em prática.

Felícia Bacci.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A última vez.


Pra mim era a última vez, e eu aproveitei.
Eu te senti, eu me preparei, eu te guardei. Na verdade você pegou no sono antes de mim, eu te olhei. Faltavam quarenta dias, depois faltaram trinta, vinte e agora entendi o porquê de tanta contagem. Eu nunca tinha parado para pensar que ter apenas seis dias poderia ser tão agoniante, eu não tinha pensado que o doce tirado de uma criança é mais fácil do que tirar o seu corpo de perto de mim. Porque você não tem só açúcar, você tem sal, tem suor, tem tato, você tem pele, tem gosto e tem cheiro. É, eu entendi o que eu quis, e eu ali entendi as minhas limitações. Hoje tudo mudou, não sei quando será a última vez e quando irão tirar o doce de mim, mas com certeza essa hora já está pra chegar.

Íris Pietro.

Deusa

A luz parca que entrava pela porta do quarto, vinda da lua cheia que iluminava a escancarada janela da sala, além da ponta em brasa do cigarro entre meus lábios eram os únicos recursos que eu tinha para observar a cena magnífica que se desenhava sobre minha cama: aquela deusa de pele mulata, deitada e adormecida, nua e ainda suada, sobre os lençóis brancos completamente amarrotados e bagunçados; seus cabelos longos e crespos que caíam lindamente por seus ombros e braços magros, reforçando o contorno perfeito de seus traços; o substrato embranquecido de meu desejo ainda escorrendo sutilmente por entre suas pernas e o contorno irretocável de suas nádegas rígidas, volumosas e perfeitamente arredondadas. Pelo chão do quarto, nossas peças de roupa espalhadas denunciavam a pressa com que nos despimos, ávidos pelo contato direto, sem intermediários, de nossos corpos quentes, que exalavam o inconfundível aroma do intenso desejo mútuo. Havia meses que eu a imaginava em um momento como aquele, com aquela intimidade, com aquele calor. Sonhava acordado com o vai-e-vem de nossos quadris e com suas ancas apontando para o alto enquanto eu lhe possuía com força e tesão. E agora ela dormia ao meu lado, poucos minutos após a concretização de meus mais pervertidos desejos, que acabaram se provando muito, muito melhores do que em qualquer dia haviam sido no meu universo platônico. A maior prova disso era meu pau, ainda melado pela mistura de nossos líquidos, novamente entrando em estado de ereção pela simples e breve recordação do que acabara de acontecer entre aquelas quatro paredes. Mas foi quando me virei para apagar meu cigarro no cinzeiro lotado sobre o criado mudo que a noite prometeu ficar ainda melhor. Senti um movimento que não fui capaz de ver, apenas perceber, pois acontecera mais rápido do que minha capacidade de me virar novamente. Quando enfim consegui entender o que se passava, meu corpo inteiro já estava tomado pelo calor produzido por aquela boca carnuda e excitante engolindo meu membro já totalmente duro, desesperado pelo tesão proporcionado pelos movimentos longos e lentos realizados por aquela mulher divina. Seus olhos negros e devassos me olhavam fixamente enquanto sua cabeça se mexia em um ritmo que me fazia dançar sobre as estrelas de tanto prazer, me convidando para mais alguns minutos da experiência singular que era possuir aquele corpo, aquela mulher. Aquela deusa negra inesquecível...

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

Surpreendente mais!


E lá veio ele, despertando minhas vontades e me deixando em muita delas. Demoramos para nos achar, e nos entendemos no nada que temos. E esse nada veio com mais verdade do que o mais definido sentido da amizade. E a cada mensagem não respondida, me agoniava a ideia de eu tão certa, ter perdido aquele que sempre foi meu amigo. A sua mão quente percorrendo o meu corpo é o que você vai deixar para eu ter saudade, é a nossa conversa, a nossa onda, o seu abraço, agora eu te conheci e quer saber você é bem melhor do que eu imaginava, mais atencioso, carinhoso, mais solícito, mais, mais, mais, distante... Tive tempo para viver isso, tive tempo para ter você e talvez por uma infantilidade absurda e o mau costume de não te enxergar direito, eu não deixei. Agora mesmo sem querer, você vai embora conquistar a sua história e crescer como deve ser. Pra você eu desejo o mundo e que ele te surpreenda, assim como você me surpreendeu.

Íris Pietro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A gente se vê...

Eu estava ali, quieto, na minha. Sentado naquele banco velho de madeira, encarava meu telefone celular enquanto as crianças se divertiam, histéricas e aos berros, ao meu redor. Estava tão focado em meu aparelho que mal pude me lembrar de que, um dia, um daqueles gritos agudos e infantis havia sido meu.

Em uma das poucas oportunidades em que levantei meus olhos para reparar o mundo ao meu redor, percebi aqueles belos olhos azuis, tão inconfundíveis quanto inesquecíveis, se aproximando de mim, acompanhados do não menos impactante sorriso de dentes brancos e perfeitos, contornados pelos mais delicados, róseos e macios lábios que eu já tocara. Antes que pudesse constatar o tremor de minhas pernas e as batidas aceleradas de meu coração, meu telefone caiu de minha mão, denunciando à minha visitante que se aproximava o que se passava dentro de mim. Claro que, para ela, nada disso era preciso. Eu tinha certeza absoluta de que ela já havia lido tudo em meus olhos quando estes se encontraram com os seus.

- Oi - ela disse.

Por mais que tivesse vontade de não responder, de sair correndo dali enquanto conseguia manter as feridas fechadas, a certeza de que não havia mais tempo para isso me obrigou a dizer alguma coisa. Ou a tentar, pelo menos.

- Oi - ela repetiu, estendendo a duração de cada uma das vogais. Percebi, então, que não a havia respondido.

- Oi. Como vai?

Ela sorriu e não respondeu. Eu estava tão atormentado por seus lábios que sorriam, debochados, para mim e por seus olhos gentis e ao mesmo tempo provocativos, que nem percebi que ela tinha meu telefone em suas mãos. Só me dei conta disso quando ela desviou o olhar de mim para apontá-lo na direção do objeto sujo de areia que segurava à minha frente. Peguei-o, desconcertado, agradeci e enrubesci em seguida, ao constatar que ela fora capaz de ver minha foto de fundo de tela, onde havia um casal que se parecia muito conosco, mas era cerca de oito anos mais jovem.

Uma menina que deveria ter uns três anos interrompeu nossa tentativa de conversa, abraçando as pernas daquela mulher estonteante à minha frente e, chamando-a de mamãe, a pediu para irem embora.

- A gente se vê por aí... – ela disse, ainda com aquele sorriso no rosto, para logo depois se virar, pegar a criança no colo e desaparecer da mesma forma como apareceu: sem rodeios, sem aviso, sem o mínimo de piedade pelo mundo ao seu redor. Ela era seu próprio mundo, sempre fora. Agora, parecia que uma linda menininha o habitava também. E eu seria capaz de tudo para saber o que fazer para igualmente a ele pertencer.

- Sim, a gente se vê... Todos os dias... – e continuei a olhar meu telefone...

Otávio Pottier.

Otávio é amigo Dellas e escreve com co-participação.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Quem sabe...

Um dia eu conheci você...
E você ganhou minha confiança da forma menos provável possível.
Me puxou para você e eu não hesitei, nem sequer por um momento.
Passamos horas falando de nada, nos embriagando e tentando adivinhar o que nos reservaria a vida.
Meu real interesse em estar a sós com você foi encoberto por um sentimento que sinto por pessoas cuidadosamente selecionadas por mim.
Me ganhou de uma tal forma que nem eu entendo.
Que doce é esse que você tem?
Seduz, fascina e some.
Aparece, fala de tudo e sobre tudo, some de novo...
Sinto sua vontade de ir além.
Percebo cada detalhe enquanto você tagarela por horas, mas não arrisca por receio de que tudo o que temos se desmorone. Ou será somente respeito?
Espera em mim o que tenho vontade, mas aguardo em você o sinal de partida.
Depois é diversão.

Lú Costas.

Lú Costas é amiga Dellas e escreve com co-participação. Ela escreve no blog Negra Lú.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Tanto tempo depois

A verdade é que eu fiquei super feliz porque você voltou. Quando você chegou, eu te olhei da mesma maneira, com vontade de te abraçar e te desejar um bom retorno e te apertar de novo! Curtir minhas ondas, beber uma cerveja, trocar uma ideia. Meu amigo voltou! Mas a parada é que você é inconstante e tem uma má reputação na fila do pão francês. Você começou a marcar presença e eu? Comecei a confundir amizade com interesse, no momento que eu fugi do chão, do papo e da ideia de ficarmos sozinhos. No instante que meu olhar se prendeu no seu por mais meio segundo. É normal confundir amizade com interesse quando você entra em sintonia com as borboletas. Elas se atiçaram um tanto, depois daquele beijo travado no tempo de tanto tempo e depois de tantos anos, e depois... E depois você não apareceu do jeito que eu quis. É cara! É difícil falar que eu te quero quando existe uma intimidade prévia do “a gente”, e essa ansiedade do “vai que” sempre me matou um pouco! Eu sorri discretamente porque falei sobre você. Talvez eu tenha vontade de te dizer isso... E depois arrancar sua roupa. Talvez eu quisesse que você já tivesse arrancado a minha. O problema é que eu sempre me meto nessas furadas loucas. Pulamos a parte de nos conhecer, já nos conhecemos bem, muito bem... E você vai embora em pouco mais de um mês, eu sei o motivo mesmo sem que você precise me dizer. E no final das contas, você vai voltar pra lá de onde veio quando eu fiquei super feliz. Veio pra cá me deixar esse beijo “top 5”, e sendo como for, ou como foi, de uma coisa nós temos certeza: Vai acontecer de novo...


Íris Pietro.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Nada muda

Você estava de blusa social, você me queria e eu te queria também. 
O meu jeito insensível se encaixou perfeitamente com o seu jeito estúpido de ser e nos mantínhamos a margem. A tal margem de segurança, que por diversas vezes falávamos algo e logo atrás vinha a continuação com um bom, falso e sonoro "to brincando". E essa frase ecoou algumas vezes, me escondi e você se escondeu também. Não sei, talvez você tenha mudado, talvez eu tenha, só siga meu conselho, fica bem longe de mim, não passe sua mão em mim, não respira perto, pegue tudo e vá embora. Apesar de eu achar que não tenha mais nada pra levar. Então pegue a sua respiração, a sua mão e os meus desejos e leve com você.
Tô brincando!
Tem coisas que não mudam...

Íris Pietro.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

O único lado


O meu melhor lado é quando ainda estou aqui, bate desse lado que serei capaz de te dar o outro. O meu melhor lado é que sou difícil de cansar quando ainda existe algo. Escuto de tudo, aceito bastante, vá e volte quantas vezes você quiser, só cuidado, o meu pior lado chega sem avisar. Chegue atrasado em todos os nossos encontros, me bata, me ignore, suma. Mas enquanto minha ficha não cair sozinha, ainda estarei aqui, mesmo machucada, mesmo sem dormir direito, mesmo segurando o choro, mesmo assim ainda estarei aqui.
Eu consigo aceitar e suportar o peso de tudo, enquanto eu quiser, estarei aqui. Quer me xingar? Me fazer passar vergonha? Sem problemas, eu estarei aqui. O seu perdão é ouvido, é aceito. E com isso eu ganho que você entre novamente na minha vida, abra a porta e eu veja mais uma vez que eu consigo passar por cima de qualquer coisa acreditando que as pessoas aprendam com o erro. Não que não aprendam, mas o erro só é lembrado se vier como um castigo, caso uma desculpa traga um sorriso e o coração aberto, sinto muito, ninguém aprende com o erro. O meu melhor lado pra você, é o meu pior lado pra mim. Por que eu sinto todas as vezes que deixo alguém usar o meu melhor lado, eu sinto de todos os lados e em todas as partes. E quando o meu pior lado entra em jogo, ai sim eu me sinto nas nuvens, eu estou bem comigo mesma. O meu pior lado visto por você quando eu cansar é quando você não terá espaço pra nada. O meu pior lado me faz bem, eu saio da obrigação de te aceitar, eu não acredito mais em uma palavra que diz, eu não quero mais nem escutar. Fim de jogo, saia daqui. O meu pior lado não quer te ver mais, o meu pior lado não te aceita mais. O único lado que passa a existir te deixou e agora chega. Tchau, não precisa fechar a porta, apenas não ouse mais entrar aqui. 

Íris Pietro.

sábado, 21 de março de 2015

Achado


O jeito dele, com a voz daquele, o cheiro do outro, o meu sexo, o seu som, o nosso canto, aquela música, naquele bar, sem ninguém para atrapalhar. O diferente que não se apresenta e novo que me envolve em duas horas e se vai. A paixão do nada, sem motivo pra frio, cabeça vazia e o peito aberto, sem calor e sem estadia. O eterno beijo encaixado, com amores relâmpagos, o nada no "prazer" em ser apresentado que termina com o meu gozo em seu lençol. Os dedos entrelaçados de intimidade no momento que não nos conhecemos. Você é o sem sobrenome, sem endereço, sem rotina, você não é aquele, nem o outro, nem ele, você é o achado que preenche os meus braços nas noites que eu não me acho.

Íris Pietro.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Nada além de nada.

Dou um trago no cigarro, solto a fumaça, te olho e espero você falar...
Você fala sobre sua vida, sua ex namorada, seus problemas em casa e no trabalho.
Escuto pacientemente... Não sei onde me encaixar... Apenas escuto.
Você não tem noção do quanto me magoa saber que em nenhum momento eu sou convocada para entrar em voga entre os seus assuntos. E você continua falando, sem perceber que eu me sinto como uma bola colocada em escanteio. Fora de jogo.
Tenho feito parte da sua vida, mesmo que de uma forma extra oficial, mas, pelo que parece, não faço parte dos seus pensamentos.
Dou outro trago, solto a fumaça e te olho.
E você continua falando, sobre sua vida, sua ex, seus problemas em casa e no trabalho.
Já faz tempo que aquele carinha mexeu comigo e com os meus sentimentos... Desde então, tenho me voltado praticamente inteira só pra você.
Mais uma tragada, fumaça e olhares...
Você não fala de mim, de você, ou de nós. Só da sua vida, da sua ex e dos seus problemas em casa e no trabalho.
Não me vejo como solução, nem sequer como válvula de escape. Não me vejo como nada.
Um trago a mais, fumaça a mais, olhares a mais... E você segue no compasso da sua vida, sua ex, seus problemas, em casa e no trabalho.
E eu começo a ter mais convicção de não ser nada pra você.
Ser nada pra quem eu tenho doado tanto de mim, me dói. Dilacera a carne, a alma e o coração.
Esse pouco que temos poderia ser tanto se você quisesse, poderia ser muito se você soubesse, poderia ser tudo, se eu apenas fosse algo pra você. Mas ser nada me retém, me reprime, me trava.
Apesar de não ser ninguém no seu passado, gostaria de ser alguém no seu presente, quem sabe, no seu futuro.
Trago meu cigarro pela ultima vez... Fumaça... Olhares...
E você continua falando da sua vida, da sua ex e dos seus problemas... E eu? Ainda aqui, sem saber onde eu me encaixo.

Felícia Bacci.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Nunca foi amor, mas insiste tanto em ser

Estava pensando em não vir. No fundo, estou pensando nisso até agora. Mas fico aqui, com cara de taxo, olhando as suas coisas bagunçadas, os meus neurônios bagunçados, o meu coração bagunçado, o meu vestido bagunçado e tudo que estava quase arrumado em mim se confunde num segundo quando ele se aproxima como quem já aceitou casar comigo, mas não disse “sim”. Apenas me mira com sorriso de bobo me revirando ainda mais. Uma grata desgraça.
Eu não queria vir. Na verdade, eu queria. Eu não queria era vir aqui, me apaixonar mais ainda e ter que ir embora sozinha. Porque sempre que venho, ele entra em mim, mas não mora. Ele me abraça, mas não me prende. Ele é meu par, mas não meu companheiro. Ele se deita, mas não fica. E eu continuo aqui sozinha mesmo sendo dois. Solidão besta. Não é fácil gostar dele. Já quis o matar tantas vezes. Mas ainda não morri.
Mas daqui a pouco, depois de gozar em mim como se eu tivesse pedindo aquilo como um prêmio ou coisa assim, ele vai se virar para o lado, olhar no relógio umas quinhentas vezes, o celular vai tocar sem parar e, logo, logo, ele arrumará algo pra fazer e ir embora. Eu conheço o seu jogo. Vai dizer que precisa salvar o mundo, buscar a tia avó no hospital, ver futebol, reencontrar um amigo ou buscar a prima na faculdade, sei lá. Só sei que ele vai. E eu queria estar aqui quando ele voltasse. Eu queria que eu fosse o motivo para ele voltar. Queria que eu fosse seu mundo, sua tia avó, seu futebol, sua amiga, sua prima, sua puta ou coisa assim.
Juro que vou embora antes mesmo dele entrar no banho. Mas ele sem camisa parece um canto sagrado. Mesmo com as leves marcas de queimadura na barriga só porque não sabe nem fritar um bife sem se machucar. Ele me pede faz-um-lanche? E eu já proponho banquete nupcial. Ele me pede umas horas no dia e eu já quero décadas juntos. Ele me pede um tiquinho de qualquer coisa e eu já venho com temporadas completas. Deve ser isso. Meu erro é mergulhar de cabeça, enquanto ele ainda molha os tornozelos. Quero saltar do avião e ele deseja apenas uma companhia para quando estiver nas nuvens. “Eu quero meter”, ele diz. “Eu quero te ter”, penso.

Hugo Rodrigues.

Hugo encantou Ellas com seu texto e nos doou essa publicação. Ele escreve na página do Facebook: https://www.facebook.com/fanpagehr.

"E se perguntarem por mim, diga que estou ótima..."


Eu fui muito feliz todos os dias que acordamos juntos e tive o "bom dia" sendo dito sem ser falado.
Meu coração transbordou quando disse o primeiro "eu te amo" e logo saiu correndo para se jogar na piscina.
E as tardes a beira da churrasqueira com o pé pro alto e o copo cheio? Como eram gostosos!
As festas com danças até doer o pé, o cigarro esquisito e a serra sendo testemunha de uma vontade enorme que eu tinha de ter um final de semana maravilhoso.
Disse bem, eu tinha... Eu tinha demais vontade de que tudo desse certo, eu tinha demais um amor que eu não conseguia falar, travei, e quando você esfregou na minha cara que tudo não passava de uma mentira muito bem contada, eu acordei do conto de fadas.
E acabou, assim como tudo acaba, você passou me lanhando e deixando marcas.
Bebi todos os copos que vi na minha frente, chorei todos os dias antes de dormir, beijei bocas pensando em você. Você tendo contado a nossa mentira de uma forma muito convincente e real, pra mim, ela sempre foi verdade. Uma das verdades mais gostosas que eu vivi. Você não me ensinou muito porque apesar de eu não saber de tudo, já sabia o suficiente pra lidar e ser alguém pra você. Eu me deixei perder e me deixei gostar, amar, e ser modificada por você. Me decepcionei e senti o amargo de fazer parte desse enredo que você montou. Um enredo que não era lá tão rico, mas mesmo assim.
Eu me deixei, e deixaria de novo.
Mas sabe como é, né?
A gente supera e muda o olhar sobre qualquer situação, e não foi diferente com você.
Estou bem, estou muito bem.
Não beijo mais bocas esperando a sua língua.
Não me desnudo esperando seu toque.
Eu to bem, estou melhor do que nunca.
Mesmo você ainda tendendo a ser um bom de um mentiroso.

Íris Pietro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Baladas virtuais.

Na era do Tinder, fala-se muito da falta de amor ou das necessidades naturais, que depois de anos de casamentos forçados em prol de dinheiro, julgam menos intensos. Na época da minha avó, todos os maridos traiam suas esposas, como se fosse natural. O casamento durou 50 anos. Que lindo! Isso é intensidade, provavelmente?!
Intensidade é respeitar suas vontades da forma mais pura que possa existir, mesmo que efêmero. Seja breve, mas seja verdade. Então o problema é o Tinder? Acho que não. As mulheres mudaram, essa intensidade de amar demais é muito confundida com a aceitação, de um cara que chega em uma mesa e desrespeita sua namorada na frente dos amigos, as mulheres não aceitam mais e nem por isso amam menos. Ei!!! Esse teu costume machista tem que mudar, essa vontade de construção a dois é linda, e acreditem no amor, ele existe, amor não é ceder e entender tudo, isso é maternidade.
O tal catálogo de sexo tinderiano é uma opção igual à uma balada qualquer, sensações a curto prazo, um beijo e sabe-se lá, contrapondo-se à uma conversa virtual, um encontro para um chopp. E o que vem depois daí, totalmente não é de problema de ninguém.
Sexo casual, sempre existiu. Ou agora virgindade é virtude de novo? Por favor, menos mimimi, por favor!
O amor, meu bem, é natural, não se espante se alguém estiver amando, mesmo tendo uma conta no Tinder. O que me estranha é a “falta” de amor, dos críticos amorosos. O que é amar para alguém que em 1 ano, já namorou e “amou” 3 pessoas? O que é amor, se essa pessoa se apaixona em 2 segundos, transforma a vida de alguém em 3 meses, e diz que tem que ir embora com o clichê do “problema sou eu”? Isso é intenso para você? Isso é amor? Isso é o que?
São tantos “eu te amo” em falso, que é melhor abrir 3 contas do Tinder.
Tinder, Instagram, Facebook, seja o que for, impõe a ditadura da felicidade, fotos lindas e de momentos marcantes, lugares sensacionais, mas cada um tem em si as angústias e mazelas que fazem parte da essência, e tem também, a sensação de saciedade e liberdade, que só a libertinagem proporciona e essa pessoa talvez, seja muito mais capaz de amar, do que muita gente com relacionamentos sérios, cheio de brigas e orgulhos feridos.
As fases são passageiras, cada momento deve ser aproveitado. A doação de amor é recíproca e inesperada; é natural, não tem regra, não tem manual. E nunca, nunca mesmo, deixou de existir. Ele está lá, para alguns mais seletos, para outros mais soltos. Mas não, não confunda tolerância com amor, nunca mais.
Menos teoria, mais vontades, por favor.

Penélope Pren.

A verdade

Por que não estamos juntos?
A verdade é que ele arrota depois de beber coca-cola; ele boceja durante os melhores filmes de ação. E o modo como ele anda, já notou? Passos curtos, desajeitados. Ele é indeciso, fechado demais, quase não sorri e quando o faz são gargalhadas altas. E a comida preferida dele, sabe qual é? Miojo.
A verdade é que a gente não daria certo. Ele é de Câncer e eu de Capricórnio. Ele gosta de números e eu de poesia. Ele faz aulas de surf e eu de música. Eu sou Botafogo; ele, Flamengo. Rock é a minha paixão, já ele se comove com Reggae. Ele não gosta de livros, eu os amo. Ele dorme muito, eu, muito pouco. Não haveria mesmo de dar certo.
Mas, a verdade é que ele sequer me ligou depois daquele beijo, nem a minha mensagem ele respondeu. Ele nunca me olhou com desejo, nem mesmo me abraçou intimamente. Ele nunca disse estar com saudades, nem mesmo sorriu quando eu disse que pensava nele o tempo todo.
A verdade é que ele tem um riso leve e gostoso; ele é bom com as palavras e conhece as melodias mais bonitas que já escutei.
A verdade é que meu sentimento descobrira-se platônico.
A verdade é que inventei defeitos para não assumir que ele não me quis.
E a maior verdade é que ainda espero por ele.

Carinne Magnago.

Carinne é uma de nossas leitoras e escreve no blog Ama-dor-ar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Desculpa

É que eu só queria alguém pra conversar e espantar a solidão nas noites frias. Alguém com quem eu pudesse falar sobre o último livro que li ou ver um filme, agarradinhos, comendo pipoca. Eu só queria alguém pra abraçar, pra telefonar ao fim dos dias chatos e desabafar.
E eu só queria alguém que me deixasse louca de prazer, que me acordasse na madrugada pra transar ou que me puxasse pelos braços pra me beijar. Alguém que soubesse como puxar meus cabelos sem machucar, e me fizesse sorrir de uma piada ruim.
Eu só queria estar com alguém sem me importar com protocolos amorosos: namoro, morar junto, conhecer família, ter um cachorro. Eu queria a liberdade de estar junto sem precisar estar; eu queria ficar por querer ficar, por um dia, por alguns dias ou pra sempre. E eu queria poder ir, sem precisar dizer adeus.
Eu não arrisquei gestos e atitudes, eu não fingi gostos e personalidade. Eu não te forjei esperanças; eu nem mesmo fechava os olhos pra te beijar. Fui apenas eu, e aconteceu: você se apaixonou!
Desculpa porque ter ficado inteira, enquanto te despedaçava o coração.
Desculpa, mas é que eu só queria companhia, um amigo, um amante, não um amor.


Carinne Magnago.

Carinne é uma de nossas leitoras e escreve no blog Ama-dor-ar

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Procurando sentido.

Eu estou sentindo uma mistura de saudade, com ciúmes e um toque especial de indiferença, o que faz tudo não ter sentido. Eu não sei o que aconteceu nesse meio tempo de encontros apertados, que eu queria que você voltasse e ao mesmo tempo acho que poderia ficar onde está. Eu ainda não sei se quero você. 
E esse balanço é muito difícil de fazer, de saber de não sei o quê. Porque dizem sempre que "quando bate, bate", a tal naturalidade do amor, né?! Mas não sei se eu acredito mais nessas coisas, eu acho mesmo é que a gente vai sentindo, que a gente vai deixando e que de repente a gente se afoga de paixão. É bom... Mas o caminho ultimamente para o sentimento bater é tortuoso, é exigente, ou seja... Estou ficando velha e já comecei a ser chata.
E você faz meu coração bater mais rápido, mas ainda não sei se mais forte. 
Eu gosto do seu abraço. Também do seu cheiro. Sua boca é muito boa. Eu gostei da sua pele e do seu jeito de fazer carinho. E gostei também dos poucos lapsos de “romancezinho” que tivemos. Gostei da sua forma de provocar e desse seu tipo que fala mesmo. 
Será que isso define como se gosta de alguém depois que a juventude começa a dar lugar pra maturidade? Ou significa que eu ainda sou imatura o suficiente para ainda não saber identificar sentimentos? Ou, por fim, eu nunca saberei e dificilmente alguém vai me dar a fórmula mágica de entender o que toca no peito?
Eu não sei se eu quero você ainda, mas eu sei que eu quero você já. 

Penélope Pren.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Automático diário.

Às vezes tudo para de fazer sentido, deixa de ser bom.  Deixa de ter nexo. Deixa. Quando nada mais parece ter graça ou efeito e até os sentimentos que restam parecem estar automatizados. Nos momentos que as vontades ultrapassam a realidade da janela pra fora onde todas as vidas vividas parecem tão normais. Tão plurais.
No apartamento da frente a mulher lava a louça, a adolescente está de perna de chinês no computador, parece estar ouvindo música e o homem vê televisão. O automático de segunda.
Eu penso.
A mulher põe a mesa de jantar, o homem abre a porta e coloca a maleta em cima da mesa de centro, a mulher reclama e tira a maleta, o homem senta e tira os sapatos. A adolescente nem sai do quarto. O automático de terça.
Eu acendo um cigarro.
O homem chega, a mulher nem a adolescente estão. Ele se joga no sofá, tira o sapato e liga a televisão. Automático de quarta.
Eu bebo um Wisky.
A mulher tá cozinhando. A adolescente abre a porta e vai direto pro quarto. A mulher vai até o quarto, parece que reclama. Elas se abraçam. O homem não chegou. Elas jantam.
Eu penso, acendo um cigarro e espero.
(O homem chega tarde fugindo da automaticidade. A mulher briga com ele. Ele vai pro banheiro, ela chora no quarto).
Não houve automático de quinta.
Eu pago a luz; vou dormir.
A mulher está bonita, o homem chega. Ela seca os cabelos. A adolescente não está. Ele larga a maleta na mesa de centro. Ela se enfeita. Ele vai pro banheiro. Ela vai pra sala e tira a maleta da mesa. Pouco se falam, eles saem. Automático de sexta.
Eu escolho uma roupa, saio também no ritmo da rotina perfeita onde até o prazer tem hora.
Sábado e domingo as coisas mudam às vezes, a mulher nem sempre cozinha, o homem às vezes chega com uma bola de futebol na mão, tem vezes que ele fica de cueca em casa, às vezes tem visita outras eles não estão. Tens uns finais de semana que a adolescente aparece, outros ela só volta domingo à noite em cena.
E eu também. Às vezes volto, outras me perco no costume de achar meu sorriso ou uma razão para sair do tédio das horas marcadas do hábito. E depois religo-me e começa a performance diária.
Eu acordo cedo.. a noite eu vou pra janela.
A mulher lava a louça... e eu penso.

Penélope Pren.

Quarto escuro.

Gosto de quem é bom de papo, de quem me deixa tensa por eu não saber o que dizer ou responder. De quem atiça as borboletas no meu estômago por eu não saber como agir ou reagir. De quem mexe com o meu psicológico, com a minha imaginação e, por consequência, com a minha libido.
Gosto, e desgosto, desse seu jeito “nem aí”, do seu “morde e assopra”. Suas conversas sem eira nem beira, me enlouquecem. 
A verdade é que não dá pra saber o que você quer, se é que você quer alguma coisa, e inconscientemente, esse mistério que você não me deixa desvendar me causa um frenesi intenso.
Suas mensagens toscas de bom dia, sua vontade incessante de querer fazer graça com as coisas mais corriqueiras do dia a dia... Você some e aparece quando te da na telha e eu me acostumei com sua volatilidade constante. Talvez seja por isso que você ainda desfile nas minhas fantasias.
Ficou na minha memória um beijo roubado as pressas, por falta de tempo. E ficou dentro de mim o desejo latente por mais.
Você me escorre entre os dedos todas as vezes em que eu resolvo ser mais direta. Você sai pela tangente quando eu te encosto na parede. E mesmo assim você nunca vai embora de vez. Mas também não vem.
Você disse uma vez que não podia nem queria me dar esperanças porque um relacionamento não está nos seus planos. E também não está nos meus.
Acho que até hoje você não entendeu que a única relação que eu espero ter com você se resume a nós dois e um quarto escuro. E olha que eu ainda tenho medo de escuro.

Felícia Bacci.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Por que, Paulo?!

Faça-me compreender qual a causa do comportamento masculino ser tão estranhamente perturbador? Sabe aquela frase: "O problema sou eu.", se esse cara cujo me refiro me dissesse isso, eu concordaria em gênero, número, grau e com a ordem estranha das palavras talvez. 
Um dia desses, com uma amiga do trabalho, li em uma dessas revistas de feminices, tipo Cláudia ou Marie Claire, um artigo com o nome: "50 mensagens para você mandar para o seu peguete" e uma delas, muito proveitosa, dizia algo do tipo: "Se você ouvir um trovão, sou eu pensando em você, sinto sua falta". Agora, imagine você, se eu mando isso para alguém? Eu tenho a certeza que nunca maaaaais me responderiam. Ok. Por que estou falando disso? Então... Eu tenho noção exata quando uma mensagem é escrota ou sem contexto. Mas não o "peguete" que eu arrumei. Pois é... Vou chamá-lo de Paulo, porque gosto do começo desse nome. Então... 
Eu e Paulo nos conhecemos num bar, flertamos, papeamos, ficamos e não transamos. Até esse dia, eu nunca havia visto Paulo antes. Então foi uma coisa boa, leve, quente, sedutiva e tudo fazia sentido bacana. Até que não mais que de repente, Pauuuuulo me diz: "Olha... Já que pode ser que, né?! Possamos ficar mais vezes, acho justo que eu te avise que não posso assumir nenhum compromisso porque eu vou morar em outra cidade." Pra vocês verem como Paulo é apressado, eu não sabia mesmo porque ele estava falando isso... Então levei na esportiva. Aquela porra que a gente finge sempre que é super descolada e tal... Mas o que? Paulo é insistente e disse: "Eu não quero te machucar", ora pois, Paulo, minha única opção de resposta era essa mesmo: "Pois então não me bata!". Risos eternos. Paulo pediu meu telefone. Paulo puxou assunto domingo. Conversamos segunda. Paulo falou comigo na terça até às 2 da manhã. Falamos na quarta. Na quinta não foi diferente. Na sexta, falamos. Nos encontramos. Ficamos juntos até às 4 da manhã.
Olhe bem, Paulo não quer nada sééééério, cliché. Eu tô tranquila aqui, aproveitando uma good viiibe, cliché. Mas o Paulo? Ahhh, o Paulo não é cliché. No dia seguinte, Paulo me mandou várias mensagens desconexas durante o dia! Paulo começa a apresentar sua loucura extremamente expressiva. E eu acho graça e mando print.
Paulo me disse que eu deveria ter uma foto de suspensório, disse que suflê de nutella deve ser muito bom, disse que estava com tersol, mandou um print me avisando que estava entrando em um grupo de putaria no whatsapp (com mulheres inclusas) e isso tudo mandando emendando uma conversa na outra. Paulo quer ser engraçado. Paulo é doido, mermão! 
E não mais que de repente ele diz: "Uma palavra engraçada: piroca." Por que, Paulo?! 
Você parecia tããããão legal! Puta merda! Não respondi essa mensagem nunca mais. E então no domingo não nos falamos. 
No decorrer da semana, achei que podia dar mais uma chance pra Paulo, a sintonia foi tão boa quando estávamos juntos. E olha, Paulo não falhou da segunda vez. 
Falávamos sobre música, siga o diálogo: 
"ELE - Eu quero ovo de codorna para comer.
EU - O seu problema ele deve resolver, não que você precise disso. ;)
ELE - Mérito seu.
EU - Nosso. ^^
ELE - Faz sentido. (desenho de um pintinho do whatsapp) 
Olha como esse pintinho é carismático!".
Ahhhhh!!! Eu sinceramente perguntei qual era o problema dele! E ele até hoje está tentando achar onde que a vida parou de fazer sentido. Já que ele não mandou nada demais! Ainda me disse que eu estou fazendo tempestade em copa d'água, usando lindos ditados populares! Eu só queria saber qual era o problema dele em unir assuntos normais, sem precisar mandar pra mim piadas que talvez tivessem graça quando eu tinha uns 11 anos.
Olha Paaaaauuulo, eu ainda teria a ousadia de ter dar mais uma chance, afinal... Creio que você só quer aparecer, mas meu filho, vamos lá, né? Seja o que for que você está tentando fazer, está fazendo errado! 
Um beijo, hein!

Penélope Pren. 

Recado pra você!

Não sou mulher de recados, mas estou abrindo um exceção, já que olhar na sua cara me dá náuseas. E como o meu bem estar vem sempre em primeiro lugar, lá vai o aviso...
Nem você, nem ninguém tem o direito de julgar o meu modo de viver, muito menos os sentimentos que eu carrego dentro de mim.
Tira meu nome da sua boca, risca do seu vocabulário e fale apenas de você, porque de mim, falo eu.
Não espero um pedido de desculpas ou qualquer tipo de arrependimento, que julgo falso, já que tudo que você fez na época, você realmente achou que deveria ter feito. Reconhecer quando erramos pelo que, socialmente falando, é considerado “filha da putagem”, é uma questão de caráter e isso você já mostrou que não tem.
Moral pra falar de mim, dos meus e das minhas? É outra coisa que não te pertence. Você foi limada da minha vida, simplesmente porque não faço questão de manter perto de mim pessoas que não valem a pena. Quem não me acrescenta, não permanece, simples assim. Não preciso, nem vou falar ou fazer nada contra você, existe uma coisa chamada "Lei do retorno" acredito nela e acredito mais ainda que seu castigo virá a cavalo.
Até lá, e até mesmo depois, siga teu rumo pra bem longe de mim. Certas pessoas merecem ficar no limbo do desprezo e é justamente pra lá, que eu to mandando você.

Felícia Bacci.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Eu vivo de gente.

Tem uma hora que a gente perde a paciência pro pessimismo, a gente perde a paciência pra nós mesmos, a gente cobra dos outros o que não fazemos. A gente sente ciúmes e acha que a culpa é do outro. A gente se vitimiza como eternos donos da razão, fiquem com ela, eu tô entendendo um pouco mais de mim, não tô precisando de razão agora, bom proveito.  
De alguma forma, a gente se sente além do bem e do mal. A gente cansa, a gente acha que se basta, veja só... 
Eu sigo protocolos só pra não ter que me estressar, para não dizerem que eu não tentei. Eu realmente ligo para o que os outros pensam, só não perco minha paz com isso, o que é bem diferente. Atitudes repetidas não me magoam mais, consegui isso, só vão perdendo espaço. Credibilidade. Certeza. Cada vez mais um sorriso frouxo pra quem assim o quer. De superficialidade, temos todos, um pote cheio. A gente dá, a gente recebe. Porque ninguém tá aqui pra estender o tapete vermelho.
Eu não tenho nada contra o mimimi, em vários momentos já fui dona do mimimi, já fiz tempestade em copo d'água, e que atire a primeira pedra quem nunca fez. O problema mesmo, é que geralmente não se tem paciência do mimimi dos outros, é chato, né? Dá fadiga, eu sei. Mas a gente não tá sempre cansado mesmo? Qualquer relação tem mimimi. De qualquer gênero, conviva com isso, ou compre 50 gatos e viva feliz, se não quiser limpar a merda, pode ser uma planta, pequena, num vazo na varanda.
E você sempre vai ter a opção de viver sozinho. De não ter paciência pra ninguém, de viver de papos amenos, sem profundidade, sem intensidade, sem muita falta. Ah! Não, prefiro o mimimi, o cansaço, o peso dos seus problemas, mas saber que dentro do peito, alguns sentem minha falta. E eu quero estar com ele, com ela, com eles. 
Eu fecho a porta pro pessimismo das relações, e deixo sempre aberta pros meus tantos de gente. Pra ouvir, pra estar aqui, pra contar, pra brigar, pra criar dilúvios e pros seus mimimis e afins, pros amores e amigos.
Eu vivo mesmo é de gente. 

Penélope Pren.