sábado, 21 de março de 2015

Achado


O jeito dele, com a voz daquele, o cheiro do outro, o meu sexo, o seu som, o nosso canto, aquela música, naquele bar, sem ninguém para atrapalhar. O diferente que não se apresenta e novo que me envolve em duas horas e se vai. A paixão do nada, sem motivo pra frio, cabeça vazia e o peito aberto, sem calor e sem estadia. O eterno beijo encaixado, com amores relâmpagos, o nada no "prazer" em ser apresentado que termina com o meu gozo em seu lençol. Os dedos entrelaçados de intimidade no momento que não nos conhecemos. Você é o sem sobrenome, sem endereço, sem rotina, você não é aquele, nem o outro, nem ele, você é o achado que preenche os meus braços nas noites que eu não me acho.

Íris Pietro.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Nada além de nada.

Dou um trago no cigarro, solto a fumaça, te olho e espero você falar...
Você fala sobre sua vida, sua ex namorada, seus problemas em casa e no trabalho.
Escuto pacientemente... Não sei onde me encaixar... Apenas escuto.
Você não tem noção do quanto me magoa saber que em nenhum momento eu sou convocada para entrar em voga entre os seus assuntos. E você continua falando, sem perceber que eu me sinto como uma bola colocada em escanteio. Fora de jogo.
Tenho feito parte da sua vida, mesmo que de uma forma extra oficial, mas, pelo que parece, não faço parte dos seus pensamentos.
Dou outro trago, solto a fumaça e te olho.
E você continua falando, sobre sua vida, sua ex, seus problemas em casa e no trabalho.
Já faz tempo que aquele carinha mexeu comigo e com os meus sentimentos... Desde então, tenho me voltado praticamente inteira só pra você.
Mais uma tragada, fumaça e olhares...
Você não fala de mim, de você, ou de nós. Só da sua vida, da sua ex e dos seus problemas em casa e no trabalho.
Não me vejo como solução, nem sequer como válvula de escape. Não me vejo como nada.
Um trago a mais, fumaça a mais, olhares a mais... E você segue no compasso da sua vida, sua ex, seus problemas, em casa e no trabalho.
E eu começo a ter mais convicção de não ser nada pra você.
Ser nada pra quem eu tenho doado tanto de mim, me dói. Dilacera a carne, a alma e o coração.
Esse pouco que temos poderia ser tanto se você quisesse, poderia ser muito se você soubesse, poderia ser tudo, se eu apenas fosse algo pra você. Mas ser nada me retém, me reprime, me trava.
Apesar de não ser ninguém no seu passado, gostaria de ser alguém no seu presente, quem sabe, no seu futuro.
Trago meu cigarro pela ultima vez... Fumaça... Olhares...
E você continua falando da sua vida, da sua ex e dos seus problemas... E eu? Ainda aqui, sem saber onde eu me encaixo.

Felícia Bacci.