quinta-feira, 26 de maio de 2016

Mais um texto sobre feminismo.

Sim, este é mais um texto sobre feminismo.
É mais uma tentativa de fazer pessoas como você enxergarem o óbvio.
E quando eu digo pessoas como você, eu digo machistas. E eu não digo apenas homens, mas mulheres também.
Aconteceu um estupro coletivo: trinta homens violentaram a vida e o corpo de uma mulher. E como se não bastasse o estupro em si, eles filmaram, fotografaram e divulgaram na internet.
Eles zombaram da dor física e emocional que ela sentiu e ainda vai sentir. Eles debocharam dos traumas e medos que ela vai carregar até o fim da vida.
E sabe o que é pior? Teve gente dizendo que a culpa foi dela. Teve gente dizendo que provavelmente ela estava usando roupa curta ou decotada, ou que estava bêbada, ou que estava sozinha em lugar e horário inadequado.
Pois é... Vivemos em um país onde a cultura do estupro se faz presente: culpamos a vítima e não o estuprador, ensinamos as mulheres como não serem estupradas ao invés de ensinarmos aos homens que não devem estuprar.
Vivemos numa sociedade onde existe uma misoginia institucionalizada, onde existe soberania dos homens sobre nós mulheres, sobre os nossos corpos, sobre as nossas vidas, apenas por serem homens.
Quando dizemos que “todo homem é um estuprador em potencial” é porque aprendemos desde cedo de que não temos voz, nem força, para dizer não aos desejos de um homem. Estupradores não são psicopatas ou doentes. São homens comuns que não se importam em obter o consentimento de uma mulher sobre seu próprio corpo.
Sabe o que acontece diariamente? Mulheres sendo assediadas em suas faculdades, em seus trabalhos, nas ruas, nos transportes públicos. Mulheres sendo agredidas dentro de suas próprias casas. Mulheres sendo estupradas e, em alguns casos, até mortas.
Mulheres sendo ofendidas e difamadas. Mulheres sendo diminuídas, mutiladas e podadas.
O feminismo, ao contrário do que muitos pensam, busca a igualdade. Não queremos ser melhores que os homens, só não podemos mais deixar que continuem nos tratando como se fôssemos menos. Simplesmente porque não somos. Nunca fomos. Queremos os mesmos direitos, as mesmas oportunidades, os mesmos julgamentos, a mesma liberdade.
E aí você me pergunta, já que existem tantos textos por aí, por que perdi meu tempo escrevendo mais um texto sobre feminismo? Porque a nossa luta não pode parar. Nunca!

Felícia Bacci.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Já tá na minha vez?

É realmente engraçado quando você aparece do além. Eu acordo em um dia qualquer com uma mensagem sua, como se fosse alguma coisa natural. Os olhos apertam, tentando de alguma forma sã compreender o quão irreal, novamente, é receber suas mensagens anuais.
Talvez você não saiba a resposta, mas lá no fundo eu sei que sabe. E aí, já se divorciou?
Quantas vezes você volta e eu relembro tudo aquilo, mas não vou ceder, não vou responder. Para mim, explicar o óbvio, só vai trazer a brecha para manter um diálogo, uma possível satisfação, justificativas e porquês que não alteram o fato da minha vida não mudar com tantas palavras bonitas. Que sim, eu gosto. Que sim, eu não vou responder. Se eu respondesse, teria que voltar sempre a pergunta clichê: E aí, já se divorciou? E mais óbvia que a pergunta é a resposta, que supondo ser positiva, já estaria explícita na mensagem com mais de trinta linhas, afinal... Você disse que seu coração acelera por mim, logo, se houvesse um paradigma diferente para tentar desvendar essa relação, tenho certeza que seria explicitado! 
Você não está sozinho, assim você não é meu e eu não vou me dar ao luxo, enquanto eu tiver controle, de ser metade de alguém. Ou de ser só a parte boa, porque eu quero tudo, inclusive a ruim, a estragada. 
Entenda de uma vez por todas, que eu não irei te responder, não por falta de afeto, mas por certezas que criei no decorrer dos anos, e inclusive por você. 
Me bloqueie, se está ofendido! Não vou ceder, por milhões de motivos, que saem da teoria todas as vezes que seu nome aparece na minha tela.
Você não pode ser meu, novamente repito. E por isso, não terá nenhuma parte minha. É o tudo ou nada. E dentro das nossas realidades, fiquemos com o nada. E o que foi a gente guarda na cachola, e deixa ser bom. Porque olha, foi muito bom!

Penélope Pren.